Sociedade

Zaire: Famílias vulneráveis no Nzeto começaram a receber dinheiro

Populações em situação de grande debilidade económica e social, no município do Nzeto, começaram ontem a receber dinheiro, através do programa “Kwenda”, que prevê, igualmente, a inserção dos beneficiários em actividades produtivas geradoras de rendimentos.

O ministro de Estado para Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior, que procedeu ao lançamento do programa, lembrou que as transferências monetárias têm efeitos positivos no comércio e nos mercados locais, se o dinheiro, ora transferido for usado na comunidade, onde estão os beneficiários. 

Reconhecidas como uma das formas mais eficazes para a redução da pobreza e usadas em várias partes do mundo, segundo Manuel Nunes Júnior, as transferências sociais monetárias às famílias vulneráveis tem, também, como meta estimular a produção agrícola e o comércio rural. “O programa de transferências sociais monetárias, associado a uma inserção dos beneficiários em actividades produtivas geradoras de rendimentos, visa com os 25.500 kwanzas, durante um ano, ao fim do qual, deverão estar inseridas em actividades geradoras de rendimento próprio”, avançou.

O programa que prevê abranger cerca de 1.608.000 famílias em todo país, cujos recursos para sua execução até 2022, segundo garantiu, estão assegurados num valor global de USD.420 milhões, dos quais, 320 milhões correspondem a um financiamento do Banco Mundial. “Umas das vantagens que se aponta para este tipo de instrumento de combate à pobreza é o facto de ser relativamente mais eficiente em termos de custos, pois comparado a outros métodos, como por exemplo, a distribuição de bens, não envolve grandes custos de transportes e de logística”, acrescentou.

Este processo, segundo o ministro de Estado para Coordenação Económica, o Ministério da Agricultura e pescas e o Fundo de Desenvolvimento Agrícola (FADA), são responsáveis pela implementação da componente produtiva deste programa, garantindo o fornecimento de sementes, fertilizantes, a preparação dos solos, assim como, toda a assistência técnica, com vista ao aumento da produtividade da produção agrícola familiar.

“A inserção produtiva das famílias beneficiárias, também inclui actividades de pesca e de pecuária, por isso, com este programa não queremos que os beneficiários se acomodem e que fiquem simplesmente a espera dos recursos todos os trimestres”, apelou Manuel Nunes Júnior. Os beneficiários, como frisou, serão temporários para fazer face aos momentos mais difíceis enfrentados pelas famílias, mas posteriormente, elas deverão caminhar por si próprias, produzindo bens e serviços de modo autónomo e obtendo os seus próprios rendimentos.

“Este programa terá também uma componente de inserção social, por meio da oferta de serviços públicos, tais como o Registo e Identificação Civil dos beneficiários, assim como a sua capacitação técnico-profissional, a alfabetização, a educação em saúde comunitária e a prevenção à gravidez precoce das famílias envolvidas”, disse o ministro de Estado Manuel Júnior.

Conceição António, 85 anos, foi a primeira a receber o cartão Kwenda das mãos do ministro de Estado para Coordenação Económica, Manuel Nunes Júnior. Emocionada, não conseguiu exprimir o que sentia, após ter feito o primeiro levantamento monetário junto de um dos ATM da Agência Sol do Nzeto. Outra beneficiária do programa Kwenda, Emília José Francisco, também mostrou-se feliz depois de ter recebido o seu cartão. Disse que o dinheiro vai ajudar muito.

“Vou fazer um plano de negócio para ter lucros. Acho que vou vender peixe”, disse, ao mesmo tempo em que agradeceu ao Governo, ao qual apelou a continuar com o programa para ajudar mais pessoas desfavorecidas do Nzeto.

Aposta nos municípios

Manuel Nunes Júnior disse que o Kwenda, associado ao Programa Integrado de Intervenção nos Municípios (PIIM) em execução em todo o país, vai contribuir para a melhoria das condições de vida das populações.

“As políticas económicas não fazem nenhum sentido se não contribuírem para melhoria da qualidade de vida e do bem-estar das populações. Todo o nosso Executivo a nível central e local, deve prestar uma atenção muito especial ao desenvolvimento deste programa e garantir o seu sucesso”, avançou.