Sociedade / Saúde e Educação

Seropositivos abandonados por parentes no Lubango

O abandono de doentes seropositivos no Hospital Dr. António Agostinho Neto, no Lubango, pelos próprios familiares, constitui uma grande preocupação,  considerou ontem, naquela cidade, o director-geral da instituição.

Clodomiro de Melo disse que muitos doentes seropositivos são marginalizados e excluídos da vida social e deixam de receber apoio das famílias. 
“Esta situação tem sido registada ao longo do último ano. Só na passada semana tivemos o registo de dez doentes com VIH e quase nenhum deles tem visitas da família. Por isso, alguns optam por não dar a conhecer o seu estado à família, para não serem discriminados”, informou.
Clodomiro de Melo esclareceu que os doentes com a patologia, por possuírem um sistema imunitário comprometido, com as defesas fragilizadas, acabam por apanhar outras doenças, que muitas vezes resultam num final trágico para o paciente. "Muitos deles chegam ao hospital só depois de terem recorrido a tratamentos tradicionais, já  com problemas no fígado e outras complicações." Explicou que no caso de os pacientes se sentirem  discriminados pelo quadro efectivo do hospital podem dirigir-se ao Gabinete do Utente e fazer queixa, ou ainda contactar a direcção para aplicar a sanção conveniente. “É missão do profissional de saúde ver o doente como se tivesse qualquer outra patologia, tendo presente todos os dias o factor humanização no exercício da profissão”, frisou Clodomiro de Melo que apelou às famílias para acompanharem de perto os parentes com VIH-Sida, pois, segundo disse, o bom ambiente familiar é primordial para garantir o bom estado do paciente. “O doente, apesar das reacções secundárias ao tratamento, não deve desistir dos cuidados, devendo recorrer sempre às instituições de saúde adequadas”, disse o director-geral, que chamou   a atenção da sociedade para se acostumar  a ver o doente com VIH-Sida como qualquer outro, "pois é alguém que precisa de apoio e uma vida social.”