Sociedade / Saúde e Educação

Médica opõe-se à medida que limita os enfermeiros

A directora do Centro de Saúde de Referência da Cidade do Kilamba, Godelive Luvualu, manifestou-se contra a decisão que impede os enfermeiros de fazerem a prescrição de receitas hospitalares.

A médica dermatologista referiu que as leis ou normas devem ser elaboradas e aplicadas em função da realidade de cada contexto. E, no caso do país, não existem condições para que se aplique já o decreto que veta os enfermeiros de passar receitas aos doentes.
Os enfermeiros de hospitais, centros e postos de saúde suspenderam a prescrição e atendimentos aos doentes, por algumas das suas reivindicações não serem, até agora, atendidas pelo Governo.
Os técnicos de saúde pediam a revogação do Decreto 254/2010, sobre as competências atribuídas às carreiras médica e de enfermagem. Esse documento permite apenas que os últimos profissionais façam prescrição de medicamentos protocolados.
Apesar desse decreto, os enfermeiros continuavam a exercer actividades exclusivas para os médicos, mas sem remuneração, dai as reivindicações do sindicato da classe, que orientou a paralisação, principalmente da prescrição de receituários.
Fruto dos constrangimentos que a medida causa, Godelive Luvualu apela a uma maior ponderação da classe dos enfermeiros, embora reconheça justiça nas suas reivindicações.
A médica acredita que os hospitais nacionais não dispõem de condições para dispensar esse serviço, que era prestado, também, por enfermeiros, dada a escassez de médicos. Por exemplo, no centro que dirige, trabalham cinco médicos, que contam com ajuda de 35 enfermeiros.
Estes técnicos, mesmo sem condições nenhumas, atendem cerca de 300 pacientes por dia, que saem de todos os bairros circunvizinhos da cidade do Kilamba e do KK-5000, uma população que ronda os 200 mil habitantes.
O centro em referência, sem orçamento do Estado, por não ser reconhecido, atende maioritariamente doentes com causas relacionadas à malária, sendo que a área de pediatria recebe entre 70 e 90 crianças por dia.
A instituição tem um laboratório constituído por aparelhos de hematologia, bioquímica, microscópio, agitador e autoclave, este último que serve para esterilização. Todos estes equipamentos estão paralisados, por falta de reagentes e de material auxiliar.
“Temos mesmo alguns aparelhos a enferrujar, que, por falta de coisas mínimas, estão, há mais de dois anos, sem funcionar”, lamentou a médica para avançar que, neste momento, o laboratório faz apenas testes rápidos de malária.

Sem raio X e outros meios
O centro de referência não dispõe de um aparelho de raio X e enfrenta uma gritante falta de outros tantos equipamentos, assim como tem apenas uma balança, para atender mais de 90 pequenos.
“Há alturas em que nós não temos nem um aparelho para medir a pressão arterial”, disse Godelive Luvualu, para quem a farmácia precisa também de ser reforçada, em termosde stock, por não ter quase nada.
Apesar das dificuldades, os cinco médicos e 35 enfermeiros e técnicos de diagnóstico atendem os pacientes em medicina, banco de urgência, consulta pré-natal, planeamento familiar, laboratório, programa alargado de vacinação, maternidade e farmácia.
Quanto ao planeamento familiar, o centro submete as pacientes à vários métodos, com destaque para o Depo-provera (injecções para não engravidar), pílulas, implante hormonal (chip). Para os homens, recomenda-se a camisinha.