Sociedade / Saúde e Educação

Hospitais estão ligados em rede informatizada

Dentro de três anos, os doentes que procurarem os serviços de saúde vão passar a ter um atendimento mais eficaz e célere em qualquer hospital, devido à entrada em funcionamento de uma plataforma de tecnologia de informação que vai facilitar a comunicação entre as unidades hospitalares públicas e privadas do país.

A informação foi avançada ontem, em Luanda, ao Jornal de Angola pelo director do Gabinete de Tecnologia de Informação do Ministério da Saúde, Walter Paulo, na véspera da realização de um seminário sobre Tecnologia de Saúde, subordinado ao tema "Melhorando o Sistema Nacional de Saúde Pública, Ampliando a Integração das Tecnologias de Informação".     
Walter Paulo explicou que, com a implementação do Sistema de Informação de Saúde (SIS), a plataforma vai estar disponível para monitorizar todo o sistema de saúde, com o objectivo de melhorar e ampliar a partilha de informações sobre os principais problemas de saúde pública, entre os quais as doenças transmitidas por vectores.
O projecto, orçado em oito milhões de dólares, já funciona nos hospitais centrais das províncias de Luanda, Benguela, Malange, Huambo e Huíla. No Hospital Provincial de Cabinda o projecto está na fase de instalação da rede.
O Sistema de Informação de Saúde está a ser montado pelo Ministério da Saúde com o apoio da UNITEL, operadora de telefonia móvel, Banco Mundial, Organização Mundial da Saúde, Fundo Global, USAID, União Europeia e do Ministério das Telecomunicações e Tecnologias de Informação.
Depois da conclusão da rede nos hospitais de referência, em todas as províncias, a plataforma de informação vai chegar aos postos e centros médicos, devendo estar também disponível nas clínicas privadas, para facilitar a comunicação com todo o sistema de saúde.
Walter Paulo declarou que o Sistema de Informação de Saúde vai assegurar uma gestão hospitalar mais organizada, tendo dado como exemplo o Hospital Américo Boavida, onde "já não se vê a tramitação de papéis, desde a entrada do doente no Banco de Urgência ao atendimento médico, porque a informação do paciente é agora toda feita através de sistema informático".
No âmbito do Sistema de Informação de Saúde, vai ser possível saber, por exemplo, o número de camas disponíveis nos hospitais, doenças diagnosticadas e o número de óbitos. O sistema vai garantir que, quando o doente é atendido uma vez num hospital, os seus dados fiquem já registados no sistema, não havendo nesse caso a necessidade de voltar a ser registado na próxima consulta.
“Existem muitas vantagens porque teremos mais informações de forma estruturada”, declarou  Walter Paulo, que disse ter o Ministério da Saúde dificuldades em detectar a realidade de cada unidade hospitalar, devendo, por esta razão, o Sistema de Informação de Saúde permitir que se obtenha com celeridade informações vindas das zonas mais longínquas e de difícil acesso.
A plataforma de informação vai estar disponível também em ambulâncias. Em função da doença de que padece, o doente é dirigido ao hospital mais próximo, com serviços necessários, médico especialista e medicamentos.

Seminário em Luanda
O seminário, que é aberto hoje e com término na sexta-feira, é realizado para, entre outros assuntos, identificar as principais ferramentas digitais existentes em Angola e obter consensos sobre a "arquitectura empresarial" do Sistema de Informação de Saúde.
Walter Paulo  lembrou que, em Angola, há várias tecnologias relacionadas com a saúde, em organismos privados e públicos, pelo que existe a necessidade de toda a informação estar integrada numa mesma plataforma de tecnologia de informação.