Sociedade

Pandemia obriga antigos contrabandistas de combustíveis a mudarem de negócio

Cidadãos que durante anos se dedicavam ao contrabando de combustíveis abandonaram a prática para aderir ao negócio da venda de peixe fresco, nos principais mercados de Mbanza Kongo, província do Zaire, devido às restrições impostas com o surgimento da Covid-19.

Os antigos contrabandistas de gasolina, gasóleo e petróleo iluminante, conhecidos como "Guimalela", adquiriam os produtos nas bombas de combustíveis durante a madrugada. Em camiões, transportavam o produto em recipientes de 25 e 200 litros para o mercado fronteiriço do Luvo, onde faziam a comercialização.

Ana Nsimba, ex-revendedora de combustíveis, ocupa uma bancada no Mercado das 15 Casas, onde co-mercializa peixe fresco. Explicou que, depois de abandonar o contrabando, a aposta tinha recaído para venda de bananas e laranjas em grande quantidade, em Luanda.
Mas, desde o mês de Março, altura em que o país registou os primeiros casos do coronavírus, Ana Nsimba foi obrigada a mudar, outra vez, de negócio, tendo em conta a cerca sanitária sob a capital do país.

Outra vendedora que mudou de negócio é Maria Nzinga. Ela preferiu deixar o contrabando de combustíveis, por causa dos riscos que corria, principalmente nos últimos tempos em que efectivos da Polícia Nacional destacados na orla fronteiriça, apertavam cada vez o cerco aos contrabandistas, com o redobrar das medidas de fiscalização.
Impedida de continuar nesse negócio, que reconhece ser um crime punível por lei, e dados os constrangimentos causados pela Co-vid-19, Maria Nzinga confessou que a venda de peixe foi a melhor solução.

“No 'Guimalela' as pessoas que insistiram na prática de contrabando foram levadas a julgamento e condenadas pelos tribunais. Por isso, preferi deixar essa vida”, salientou a mulher.
Actualmente, Maria Nzinga adquire o peixe nas praias do Nzeto, cerca de 210 quilómetro da cidade de Mbanza Kongo, e comercializa o produto no Mercado das 15 Casas. "Não corro mais riscos, nem acordo de madrugada para ocupar lugar nas bombas, para adquirir o combustível", disse.

Residente no município do Nzeto, Mónica Carlos, ex-vendedora de combustíveis, conta que, antes do surgimento da pandemia, fazia viagens à capital do país para vender uma diversidade de produtos. Mas, agora, vende peixe adquirido na localidade onde vive e leva-o a Mbanza Kongo, para comercializar.
A vendedora mostrou-se preocupada com a pouca clientela, o que tem feito com que o peixe seja vendido a um preço muito bixo. "Somos obrigados a vender a preços baixos para não deixar o produto estragar ou voltar de mãos vazias a casa", lamentou.

Mónica queixou-se da falta de higiene no espaço comercial a céu aberto. Por isso, apelou à Administração Municipal de Mbanza Kongo para melhorar o saneamento básico do Mercado das 15 Casas.
Situada a 210 quilómetros da cidade de Mbanza Kongo, o município do Nzeto é ba-nhado pelo Oceano Atlântico e é potencialmente pis-
catório, sendo o marisco, cachucho, garoupa, corvina, bagre, tubarão, carapau, sardinha, barbudo, dourado, pingo e peixe pargo as principais espécies capturadas.