Sociedade

Métodos contraceptivos usados por apenas 16% das mulheres

Apenas de 16 por cento das mulheres angolanas, com idades entre os 15 e 49 anos, usou algum método contraceptivo, nos últimos tempos, revelou, em Luanda, o médico gineco-obstetra Mansitambi João Luz.

Ao citar dados do Inquérito de Indicadores Múltiplos e de Saúde (IIMS) 2015-2016, o especialista salientou que nas zonas urbanas a percentagem de mulheres da referida faixa etária que usou contraceptivos é de 22,9  por  cento,  enquanto nas áreas rurais é de apenas 2,4 por cento.
O gineco-obstetra salientou que 15 por cento da população feminina já usou algum método moderno,  sendo que 21,5 por cento vivem em áreas urbanas e dois por cento em zonas rurais.  Outras 1,1 por cento já recorreram a métodos tradicionais, com 1,4 por cento das de zonas urbanas e 0,5 por cento de áreas rurais.
O estudo revela ainda que seis por cento usou preservativo masculino, 8,6% dos quais representam mulheres da zonas urbanas e 0,9% das rurais. Em função disso, o médico considera que “o uso de contraceptivos é muito baixo”.
Sobre os contraceptivos modernos, Mansitambi João Luz avançou que as províncias do Cuando Cubango, com 1,9 por cento, Bié (2,4por cento) e Lunda Norte (3,3 por cento) são as que apresentam as taxas de menor prevalência no uso. Ou seja, em cerca de 100 mulheres dos 15 aos 49 anos apenas duas fazem recurso aos métodos. Luanda, Namibe, Cabinda e Benguela deram passos significativos nessa matéria.
As mulheres angolanas residentes em áreas rurais têm, em média, mais três filhos que as mães de zonas urbanas, avançou Mansitambi João Luz, citando igualmente o IIMS 2015-2016. O gineco-obstetra avançou que, segundo ainda o IIMS, realizado no período entre Outubro de 2015 e Março de 2016, que a taxa global de fecundidade no país é de 6,3 por cento.
Mansitambi João Luz falava sobre os “Factores de Constrangimento no Acesso aos Cuidados de Saúde da Mãe, Desafios e Oportunidades”, durante o II Simpósio sobre Fortalecimento do Sistema de Saúde Local, organizado pelo departamento de saúde pública da Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto.
O médico defendeu que, tendo em conta o quadro da tendência de fecundidade no país, se faça o reforço das campanhas de educação da população e se alargue o acesso aos serviços de saúde.
Com esse tipo de acções, o especialista acredita que o número de visitas de pessoas do sexo feminino aos serviços de saúde materna possa registar um aumento considerável.

Consultas pré-natais
Nos últimos dois anos, pelo menos 61,4 por cento das mulheres entre os 15 e 49 anos com filhos nascidos vivos, fizeram quatro ou mais consultas pré-natais. Destas, 73 por cento são mulheres de zonas urbanas, enquanto só 39 por é de áreas rurais.
Além disso, Mansitambi João Luz referiu que 81,6 por cento de mulheres fez consulta pré-natal com pessoal de saúde qualificado. As estatísticas referem que 92,2 por cento são senhoras de zonas urbanas e 62,7 por cento das comunidades rurais.
Em relação aos partos, o especialista colocado na Direcção Nacional de Saúde Pública disse que 49,6 por cento mulheres fizeram o serviço assistidas por pessoas qualificadas, com grande incidência para as que residem em zonas urbanas, 68,1 por cento contra os 21,4 por cento das senhoras de áreas rurais.
Nos dois últimos anos, segundo o médico, 45,6 por cento das mulheres, que já tiveram dois nados vivos, acorreram a uma unidade de saúde para ter o parto. As estatísticas apontam para 64,5 por cento senhoras da área urbana e 16,8 por cento das comunidades rurais.