Sociedade

Inovações tecnológicas expostas no Instituto de Telecomunicações

Os laboratórios estão todos ocupados por estudantes, contrastando com o silêncio observado no corredor. Sebastião Jorge, 23 nos, faz parte de um grupo de estudantes que expõe, hoje, na 10º edição da Feira de Inovação Tecnológica, que decorre até sábado nas instalações do Instituto Médio de Telecomunicações (ITEL).

Sebastião está com os colegas do curso de Informática e Sistemas Multimédia, que apresentam uma revista electrónica denominada “Super ITEL”. O projecto visa oferecer informações sobre a trajectória do instituto. Com quatro secções, designadamente ITEL Parceria, Eventos, Inovações e Mundo, a intenção é levar as pessoas a estarem actualizadas de tudo quanto acontece na referida instituição de ensino técnico.
O jovem que frequenta a 11ª classe conta que, quando foi estudar no ITEL, possuía pouca informação do curso, mas “agora sabe  da grandeza desta formação.”
“Vim ao ITEL com o apoio de uma professora do II ciclo, porque já tinha um potencial nas áreas das Ciências Exactas (Matemática, Física e Química)”, explicou Sebastião, enquanto ampara as alças da mochila.
“Quero desenvolver a minha actividade numa empresa de comunicação”, acrescenta.
No ITEL, as aulas acontecem nos períodos da tarde e da noite.“Naqueles dias em que as aulas decorrem o dia todo, trazemos refeições ou algum dinheiro para adquirir alguma coisa no refeitório”, conta Sebastião Jorge, que confessa que conta com o apoio financeiro dos familiares e de alguns amigos, quando está sem dinheiro para transporte.
Morador do bairro Kapalanca, Viana, explicou que está acostumado com os horários, daí que sai agora de casa às 6 horas. No ano passado, deslocava-se à paragem de táxi às 4 horas.
Aos 17 anos, Efigénio Sebastião frequenta a 12ª classe, no curso de Informática. Conta que escolheu o ITEL pela admiração que tem da instituição e considerar um lugar certo para crescer. Esguio, tal como a maioria dos estudantes do ITEL, o jovem, residente no bairro Hoji-ya-Henda, lembra que, em 2017, o seu grupo apresentou um sistema de votação eleitoral electrónico. O referido sistema de votação funciona numa rede segura, disponibilizado e distribuído por urnas, onde os eleitores poderiam votar. “Os cidadãos com deficiência visual teriam a oportunidade de votar por intermédio da voz”, explica numa voz gutural.
Nesta  edição, Efigénio e os colegas mostram um novo aplicativo denominado “Fácil Aprendizado”, que vai permitir que as pessoas no sistema de alfabetização consigam ver e visualizar todos os estabelecimentos de ensino, bibliotecas e livros.
“A nossa intenção é fazer com que os alunos partilhem os conhecimentos”, advogou.
“Este projecto está engavetado e já foi apresentado em várias feiras e foi utilizado na feira do empreendedorismo que foi realizado no ITEL, durante a votação da melhor empresa da feira.
Josué André traja calças de ganga e camisa abotoada até aos colarinhos. Tem 18 anos e frequenta a 12ª classe no curso de Electrónica e Telecomunicações. O jovem diz que mora em Viana, por isso sabe, perfeitamente, das dificuldades de transporte para chegar a tempo na escola. “Eu sirvo de incentivo para os meus amigos”, salienta com um sorriso por entre os lábios.
Explica que os pais fazem tudo para não faltar nada. “Às vezes, não consigo estudar tudo, principalmente naqueles dias em que chego a casa acima das 22 horas, por dificuldade de transporte”, admite.
A instituição pauta-se pelo rigor, refere Josué que, em seguida, conta que quando chega muito tarde a casa já não consegue comer devido ao cansaço.
“Aqui, somos quase todos magros”, graceja o estudante.
“Uma pessoa gorda emagrece porque aqui se estuda muito, por causa do rigor, sobretudo as disciplinas de Matemática e Física”, sustentou, levando as mãos para rosto. Quando terminar a formação média no próximo ano, Josué André quer ingressar no Instituto Superior das Forças Armadas, para trabalhar na área das telecomunicações.
Mateus Tiago foi aluno do ITEL há quatro anos. Tem 24 anos, agora é professor na mesma instituição e lecciona prática de telecomunicações. De camisa pintalgada, Mateus frequenta, nesta altura, o 4º ano do curso de Telecomunicações no ISUTIC-Instituto Superior de Tecnologia de Informação e Comunicação. O jovem sente-se privilegiado por fazer aquilo que sempre desejou: “ensinar”. “Antes de regressar como professor, sempre ensinei de forma voluntária e estou aqui, no ITEL, para dar o meu contributo.”
Em 2015, um ano depois de concluir o ensino médio, acedeu ao pedido para auxiliar um professor. No mesmo ano, deu aulas a ex-colegas que tinham reprovado. “Alguns brincavam, mas já sabia lidar com esta situação. Encontrava o equilíbrio dentro do respeito e profissionalismo.”
O professor Mateus Tiago acompanhou de perto algumas inovações tecnológicas que estão a ser expostas. Ao recordar algumas peripécias no tempo de aluno do ITEL, o jovem diz que morou em Viana, mas devido ao trânsito caótico ficava, algumas vezes, em casa do avô, no Miramar. “Uma vez tinha uma prova marcada para às 8 horas, estudei das 20 horas até às 4h00. E, para quem mora em Viana, tinha de sair de casa às 5h00. Dormi e só acordei às 9 horas, ou seja, uma hora depois da prova”, lembrou.
“Mas depois tive de voltar, porque tinha as minhas coisas em Viana”, disse, sublinhando que “um bom aluno deve ter foco e determinação nos estudos.”

  Casa Inteligente uma das novidades da “Feira de Inovação”

Um total de 37 projectos, produzidos por estudantes dos cursos de informática, multimédia e electrónica e telecomunicações, é exposto  na Feira de Inovação e Tecnologia, no Instituto Médio de Telecomunicações (ITEL), em Luanda.  O principal destaque desta feira de inovação e tecnologia é a Casa Inteligente automatizada, onde estão instalados vários sensores. A abertura das portas e janelas, o funcionamento do ar condicionado, televisor e descodificador são feitos por via de “smartphone” ou computador.  A monitorização pode ser também feita a partir do estrangeiro. Se a casa for assaltada, o dono percebe de imediato.
A coordenadora da feira, Conceição Mitange, disse que o evento deste ano tem maior número de expositores, comparativamente ao ano anterior, e conta com a grande participação e dedicação dos professores e estudantes.
Apesar de não haver apoios para a aplicação dos projectos, Conceição Mitange acentuou que o ITEL tem a missão de propor ao mercado de trabalho técnicos e divulgar os projectos tecnológicos criados pelos estudantes.
Este ano, mais de 30 empresas solicitaram, pela primeira vez, técnicos médios formados no ITEL para serem inseridos no mercado de trabalho.
Professora há 13 anos, Conceição Mitange salientou que o ITEL tem participado em feiras internacionais e, recentemente, um aluno de electrónica e telecomunicações, criou um ar condicionado de baixo custo.