Sociedade

Hospital Geral do Cuando Cubango pode ser elevado à categoria da SADC

O Hospital Geral do Cuando Cubango pode ser elevado, nos próximos tempos, à categoria de regional dos países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), anunciou na quinta-feira, em Menongue, o ministro namibiano da Saúde, Bernard Haufiku.  

O Hospital Geral do Cuando Cubango pode ser elevado, nos próximos tempos, à categoria de regional dos países da Comunidade de Desenvolvimento da África Austral (SADC), anunciou na quinta-feira, em Menongue, o ministro namibiano da Saúde, Bernard Haufiku.   
O governante, que se deslocou propositadamente a Menongue para ver de perto a infra-estrutura sanitária, disse que o Hospital Geral do Cuando Cubango, pela sua importância, tem tudo para ser transformado numa unidade de referência a nível da região da SADC, referindo que, além de tudo, possui um edifício em condições, higiene, residências para os médicos, serviços à disposição dos pacientes e equipamentos de última geração.
O ministro namibiano da Saúde, Bernard Haufiku, que se fez acompanhar do secretário de Estado de Angola para a área Hospitalar, Valentim Altino de Chantal Matias, salientou que, no contexto da SADC, a Namíbia vai chefiar o órgão da Saúde junto dos países membros.
Com base nisso, caberá à Namíbia identificar a nível dos Estados-membros uma unidade hospitalar de referência, que esteja em condições para atender os pacientes de todos os países da região.
“Daquilo que constatei, o Hospital do Cuando Cubango dispõe de requisitos para constar da lista de prioridade, daí ter-me deslocado para Menongue e poder traçar medidas concretas para o processo, que consiste no envio de médicos namibianos, americanos e sul-africanos. Este grupo de profissionais vai reforçar os quadros existentes nesta unidade sanitária, que está equipada com tecnologia moderna”, sustentou.
Da constatação feita ao Hospital Geral do Cuando Cubango, Bernard Haufiku ficou impressionado e reconheceu o grande investimento feito pelo Governo, notando apenas a falta de médicos e especialistas que saibam manusear os equipamentos de alta tecnologia, que muitos hospitais públicos ou mesmo privados da Namíbia não possuem.
Lembrou que para que o Hospital Geral do Cuando Cubango se transforme numa unidade regional da SADC depende muito do Governo angolano. “Esta infra-estrutura tem muitas qualidades e, pela tecnologia moderna instalada no local, pode ser comparada com muitas unidades sanitárias da Europa, mas o problema está na  falta de técnicos”, concluiu.
Entre os países membros da SADC, de acordo com ministro da Saúde da Namíbia, Angola é o que mais doentes envia para a Namíbia, pois entre 30 e 50 por cento dos pacientes que procuram pelos serviços do seu país são angolanos.
Para ele, é uma situação que poderia ser evitada, caso se contrate especialistas que saibam trabalhar com os equipamentos que se encontram paralisados, desde que o hospital foi inaugurado em 2017.
Em relação à falta de especialistas, o governante admitiu que se trata de um problema genérico a nível mundial, mas disse que é preciso união de sinergias entre os ministérios da Saúde de Angola e da Namíbia, de modo a minimizar esta situação, porque, “por sermos vizinhos, estamos condenados a partilhar os mesmos problemas e as mesmas doenças, como casos de HIV/Sida, malária, tuberculose e agora a hepatite B.”
A capacitação dos técnicos do Hospital Geral do Cuando Cubango e a melhoria da estrada entre Catuitui e Menongue são factores que podem concorrer para a redução da presença massiva de doentes angolanos nos hospitais do Rundu, na Namíbia, e de outras localidades namibianas ao longo da fronteira com Angola.
Bernard Haufiku explicou que os ministérios da Saúde de Angola e da Namíbia estão a trabalhar num memorando de entendimento, que se encontra na fase terminal, para melhorar a assistência médica e medicamentosa dos dois países.
“A província do Cuando Cubango (Angola) e a região do Okavango (Namíbia) partilham a mesma fronteira e debatem-se com várias enfermidades, tais como malária, tuberculose e HIV/Sida, entre outros. Com base nisso, é urgente procurarmos soluções para estes problemas”, disse.

Falta de técnicos

O secretário de Estado da Saúde de Angola para a área Hospitalar, Valentim Altino de Chantal Matias, reconheceu a falta de especialistas no Hospital Geral do Cuando Cubango e disse que se está a trabalhar neste sentido para se ultrapassar as dificuldades.
O governante informou terem-se deslocado nos últimos dias à província do Cuando Cubango vários directores de unidades sanitárias de Luanda, com o objectivo de analisarem as condições instaladas no hospital geral, no sentido de formarem especialistas.
“É nossa intenção aproveitar o Hospital Geral do Cuando Cubango para formarmos  especialistas de várias áreas, através dos equipamentos modernos que a mesma possui”, disse, para acrescentar que o ciclo de formação será contínuo, para fazer face ao grande défice de especialistas em diversas áreas que o país em geral atravessa.