Sociedade

Comissão de gestão trabalha para reestruturação do INEA

Depois de o Jornal de Angola ter publicado, há três meses, uma notícia sobre a má gestão dos activos, falta de adjudicação de empreitadas e paralisação total do Instituto Nacional de Estradas de Angola (INEA), o ministro da Construção e Obras Públicas, Manuel Tavares de Almeida, nomeou uma comissão de gestão que já trabalha, desde ontem.

António Resende foi exonerado, há uma semana, do cargo de director do INEA, em função dos resultados finais da comissão de inquérito, criada pelo ministro, após a visita realizada nas instalações do instituto, no Palanca, um dia depois da notícia publicada neste diário.
“A paralisação do INEA já dura há mais de sete anos”, revelou Miguel Luís, secretário-geral da comissão sindical dos trabalhadores, que argumenta que a crise financeira que o país enfrenta, no momento, não deve ser invocada como factor fundamental da estagnação, uma vez que a contratação de empresas para construir e reabilitar as estradas é da responsabilidade do INEA.
Empossada ontem pelo secretário de Estado Molares d’ Abril, a comissão de gestão é coordenada por Henrique Victorino e mais três quadros seniores do INEA, nomeadamente Manuel Martins da Gama, Ntonta Rosária Kiala e Fernando Alcino Borges Bonito. Faz ainda parte da comissão, na qualidade de inspector-geral do Ministério da Construção e Obras Públicas, Manuel Fernando Correia Victor.
Entretanto, à comissão é incumbida a responsabilidade de proceder à gestão corrente do INEA, elaborar o diagnóstico da actual situação patrimonial e dos recursos humanos do instituto, bem como apresentar uma proposta de reestruturação do instituto, para a optimização dos recursos disponíveis e dar resposta com eficácia às responsabilidades desse órgão.Num prazo de 90 dias, a comissão de gestão deve apresentar ao ministro da Construção e Obras Públicas um relatório das actividades desenvolvidas, no quadro do seu mandato, apresentando uma proposta de estatuto orgânico que atenda as áreas de estradas e pontes.
Na visita de constatação de duas horas às instalações do INEA, o ministro da Construção e Obras Públicas, Manuel Tavares de Almeida, havia confirmado o estado de paralisação e abandono do equipamento e falta de trabalho para os operários da empresa.
Nessa altura, no interior do INEA, observa-se ainda, com preocupação, vários equipamentos novos e usados a ganharem ferrugem, assim como a inundação do laboratório de estradas.
A clínica e o refeitório continuam revestidos de teias de aranha e de poeira e os mosaicos e azulejos com cor de barro. O quintal apresenta-se com capim e as oficinas mostram sinais visíveis de abandono. A central de emulsões betuminosas está paralisada.
Ainda aquando da visita, o ministro manifestou preocupação perante o estado da instituição, considerando desolador o que constatou no local, como é o caso dos equipamentos novos que não funcionam, devido à falta de manutenção e conservação. O ministério pretende, deste modo, que os equipamentos sejam recuperados com a aquisição de peças de reposição. “A recapitalização do INEA é possível, por ter excelentes instalações”, avançou, na altura, o ministro no final da visita, que admitiu ter-se deslocado ao local em função da matéria publicada no Jornal de Angola.
Por falta de trabalho, nos últimos anos, os funcionários vão de manhã ao serviço apenas para assinar o livro de ponto e depois de uma hora regressam à casa.
“O INEA adjudica obras às empresas privadas, sendo que algumas podem ser realizadas pelo instituto, no sentido de rentabilizar os equipamentos, mas infelizmente não acontece”, explicou o secretário do sindicato, que acrescentou que as direcções provinciais do INEA também estão tecnicamente paralisadas.
O sindicalista Miguel Luís disse que o colectivo de trabalhadores deseja um melhor funcionamento do INEA e que se corrija os aspectos negativos, cingindo-se na gestão activa e dinâmica para obtenção de resultados positivos.
“Ainda estamos diante de uma comissão de gestão e, só depois de 90 dias, vamos começar a sentir algum efeito”, disse, para sublinhar que há satisfação no seio dos trabalhadores, pois toda a mudança gera novos resultados e um novo paradigma.
Miguel Luís acrescenta que os trabalhadores pedem igualmente uma gestão actuante, no sentido de criar-se condições de trabalho para a empresa sair da actual letargia. “O INEA chegou neste estado por vontade da anterior gestão. Por isso, pedimos mais comunicação entre a entidade empregadora e os trabalhadores. A instituição deve ter boas relações, para que, num futuro curto, possamos acabar com problemas de base”, indicou, apelando à boa capacidade de gestão para a melhoria dos salários e das condições sociais.