Sociedade

Cemitérios da capital têm menos funerais

A província de Luanda tem registado, nos últimos tempos, menos funerais por mortes nas estradas, afirmou ao Jornal de Angola o chefe de Departamento de Serviços de Cemitério, Morgue e Velório da capital do país.

Filipe Mahapi explica a alteração com a “Operação Stop”, também  conhecida por “Operação Bafómetro”, lançada pela Polícia Nacional. O responsável acredita que, de lá para cá, as casas mortuárias da capital passaram a receber um número muito reduzido de cadáveres por acidentes de viação, mas não avançou números comparativos.
O responsável disse não ter dúvida de que tal redução se deve à campanha lançada pela Polícia Nacional, que consiste em sancionar os automobilistas que conduzem sob efeito de álcool.
 “Antes da operação, as casas mortuárias recepcionavam números assustadores de cadáveres resultantes de acidentes de viação”, ressaltou Filipe Mahapi, para quem a Polícia deve continuar a fazer o seu trabalho para que o número de mortes por acidente diminua. 
Os acidentes constituem a segunda causa de mortes em Angola, superada apenas pelo paludismo.
Numa entrevista concedida à imprensa, no final de uma reunião da Comissão Executiva Nacional do Conselho de Ordenamento do Trânsito, realizada em Maio deste ano, o director nacional de Viação e Trânsito, o comissário Conceição Gomes, terá revelado que em 2012 se registou 17 mil acidentes, o que resultou em quatro mil mortos e 16 mil feridos. Foi o ano de mais ocorrência de acidentes no país.
Conceição Gomes disse ainda que Angola registou, de 2008 a 2017, 140 mil acidentes de viação, que terão resultado em 17 mil mortos e 130 mil feridos, sendo que uma boa parte destes acarretam nos dias de hoje sequelas físicas irreversíveis. Em 2014, de acordo com o comissário, houve uma redução em termos de acidentes, resultante de várias campanhas lançadas pela Polícia Nacional sobre a sinistralidade rodoviária, com destaque para a “Operação Stop”.
Apesar da redução do número de acidentes nas estradas do país, advertiu que a Polícia Nacional não irá refrear, pelo facto de a sinistralidade rodoviária continuar a ser a segunda causa de mortes no país.

Reduzir até 50 por cento
A Polícia Nacional, no âmbito de uma estratégia, pretende reduzir, até 2020, o índice de acidentes de viação para 50 por cento, respeitando, deste modo, uma orientação da Organização das Nações Unidas.
Mas, para atingir tal desiderato, avançou o comissário, a estratégia deve passar pelo incremento de mais campanhas de prevenção, sobretudo na província de Luanda, onde o índice de acidentes com vítimas mortais é maior.
No primeiro trimestre deste ano, o Tribunal Provincial de Luanda condenou, por condução sob efeito de álcool 1.238 motoristas, entre os quais 1.222 homens e 16 mulheres a penas de 60 a 90 dias de prisão, convertidas em multas, fixadas em  96 mil e 206.160 kwanzas.
Em função disso, o comandante da Unidade de Trânsito de Luanda, superintendente-chefe Roque Silva, disse que alguns condutores ficaram inibidos de conduzir durante um período de 30 a 2.010 dias.
Roque Silva informou que, só no primeiro semestre deste ano, 669 motoristas estiveram envolvidos em acidentes de viação, 536 dos quais acusaram positivo após terem sido submetidos ao teste de alcoolemia. Destes, continuou,  444 tiveram uma taxa inferior a 0,6 gramas de álcool no corpo por cada litro de sangue, o que não constitui crime.
Os motoristas com uma taxa superior a 0,6, gramas de álcool no corpo por cada litro de sangue e inferior a 0,8 gramas pagam apenas uma multa estimada em 11 mil kwanzas e são impedidos, por força do artigo 54º do Código de Estrada, de conduzir durante 12 horas para os níveis de álcool baixarem.
Segundo Roque Silva, os condutores com uma taxa de álcool no sangue superior a 0,8 gramas e inferior a 1,2 são encaminhados a tribunal para julgamento sumário, por ser  uma infracção muito grave.