Sociedade

Candidatos ao ensino superior optam por curso preparatório

Elvira Pedro e Raquel Dombele estão numa fila serpenteada para fazer inscrição de acesso à Universidade Agostinho Neto (UAN). Pela primeira vez, Elvira vai testar para ingressar no curso de Medicina e Raquel no de Construção Civil.

Mas, para tal, têm de passar nos testes. Ambas confessam que estão a frequentar aulas de reforço do conhecimento nos denominados preparatórios.
“Optei por me inscrever no preparatório para aprimorar os meus conhecimentos, sobretudo nas disciplinas de Matemática e Física, em função do curso que escolhi”, conta Raquel, 19 anos.
“Conheci algumas pessoas que tiveram êxitos depois de passarem por um preparatório, daí que me inscrevi num destes locais próximos de casa”, justifica Elvira, 17 anos.
Há 11 anos, Mateus Arnaldo e um grupo de colegas, todos professores, criaram o “Preparatório Renascer”, para ajudar os candidatos ao ensino superior.
Embora os interessados olhem, primeiro, para os cursos da Universidade Agostinho Neto, por ser pública, Mateus Arnaldo, 33 anos, explica que o grupo procura colmatar algumas dificuldades que os estudantes trazem do ensino médio.
Formado em Direito e professor há 15 anos, admite que a maior satisfação é a partilha do conhecimento.
“Fomos estudantes da universidade pública e, depois de terminar os estudos, decidimos ajudar os nossos colegas a crescerem”, avançou, afirmando que, com os colegas, aproveita a pausa do ano lectivo para preparar os candidatos. Localizado na escola do II ciclo, na FAN (Força Aérea Nacional), o preparatório Renascer iniciou as aulas a 15 de Novembro e termina a 27 de Janeiro, três dias antes dos testes de admissão na UAN. O estudante comparticipa com a quantia de 15 mil kwanzas e, em troca,  recebe aulas nas disciplinas nucleares do curso inscrito na universidade.
Cerca de 43 estudantes frequentam o “Renascer” e as aulas são repartidas em três grupos, nomeadamente de Engenharia, Ciências Sociais e Medicina. Entretanto, as principais disciplinas ministradas são Matemática, Física, Química, Língua Portuguesa, História, Cultura Geral e Biologia.
O engenheiro de construção civil, Tomás Armando, faz parte do Núcleo IGCA que há oito anos dá aulas a candidatos ao ensino superior. Este núcleo está a preparar 50 candidatos que pretendem ingressar, pela primeira vez, na universidade.
Tomás Armando explicou que 90 por cento dos candidatos que passam pelo seu preparatório são admitidos nas universidades e com as melhores notas.
As mulheres estão em minoria nestas oficinas de reforço do conhecimento, ou seja, representam 30 por cento, segundo o professor Tomás Armando.
Por outro lado, cerca de 60 por cento dos estudantes, que procuram os preparatórios, tencionam ingressar na Faculdade de Engenharia.
Com sete professores, o Núcleo IGCA cobra 23 mil kwanzas. “O nosso trabalho tem sido honroso porque somos valorizados pelos estudantes. Fazemos a nossa actividade com muita alegria”, disse.A organização Q2S transferiu, este ano, o preparatório da Faculdade de Engenharia para o IGCA. Tem 45 estudantes e cobra o valor de 20 mil kwanzas. O engenheiro de petróleo Francisco Quissanga, 32 anos, é um dos mentores do projecto e professor.
Afirmou que o preparatório Q2S registou, no perío-do 2016/2017, um maior número de estudantes, tendo a maioria ficado apta na UAN. Dos 68 estudantes, 52 entraram na universidade e com melhores notas.
“Temos uma caderneta de controlo e conseguimos fazer o levantamento a partir das listas”, informou.
“Este ano tivemos menos inscrições, porque os finalistas dos institutos médios politécnicos vão ter mais um ano, ou seja, a 13ª classe”, explicou. A faixa etária dos candidatos que procuram os preparatórios está entre os 17  e 45 anos. O preparatório Q2S funciona há cinco anos e a maioria dos alunos tem a pretensão de entrar na universidade pública e no ISPTEC ( Instituto Superior Politécnico de Tecnologia e Ciências).
Com 16 professores, Francisco Quissanga salientou que o mercado oferece poucas oportunidades de trabalho e essa actividade tem sido uma opção para ocupar as pessoas já formadas.
Depois dos exames de acesso, o Q2S vai manter as portas abertas, para tirar dúvidas dos estudantes do ensino médio técnico e do ensino superior. Ao longo ano, os interessados pagam as aulas, por capítulo, no valor de dois mil kwanzas.