Sociedade

Ambiente de consternação no adeus ao Bispo do Povo

Num ambiente carregado de dor e emoção, os restos mortais do bispo emérito da Diocese de Benguela, D.Óscar Braga, falecido no dia 26 de Maio, por doença, foram a enterrar no Cemitério da Camunda, constatou a Angop.

Antes de a urna descer à sepultura, curiosamente ao lado do sepulcro onde repousam os restos mortais da escritora angolana Alda Lara, falecida em 1962, oração e adoração a Deus preencheram o momento, sob a liderança do bispo da Diocese de Benguela, D. António Jaka.

Durante o cortejo para o cemitério,, que durou cerca de três horas, houve paragens defronte à casa onde D.Óscar Braga morou, na Paróquia da Nossa Senhora do Pópulo, e no bispado, onde esteve durante 33 anos, antes da chegada do carro funerário ao Cemitério da Camunda, com uma bandeira do Vaticano.

Num gesto simbólico e de gratidão, mais de três mil escuteiros, com trajes típicos do escutismo, escoltaram o cortejo pelas principais ruas e avenidas de Benguela. Uma multidão, dividida entre cânticos, choros, carregando flores, despedia-se de D.Óscar Braga. Os rostos estavam marcados pela dor.

O presidente da Conferência Episcopal de Angola e São Tomé (CEAST) e arcebispo de Luanda, D.Filomeno Vieira Dias, o bispo da Diocese de Saurimo, D. Manuel Imbamba, e o secretário da Nunciatura Apostólica em Angola, o italiano Michele Tutalo, assistiram ao funeral, bastante restrito ao clero da Igreja Católica, membros do Governo, dos partidos MPLA e UNITA e representantes de denominações religiosas. A restrição deveu-se às medidas de prevenção contra a Covid-19.

O Presidente da República, João Lourenço, fez-se representar no acto pela secretária para os Assuntos Sociais, Fátima Viegas, a primeira entidade a depositar uma coroa de flores no túmulo de D.Óscar Braga. Seguiram-se o governador provincial de Benguela, Rui Falcão e outras figuras presentes no funeral.

Na sua intervenção, D. António Jaka enalteceu a dedicação do malogrado em prol do sacerdócio e, por isso, pediu orações para o repouso da sua alma. Também agradeceu o empenho pessoal do governador de Benguela na realização das exéquias oficiais, ao mesmo tempo que lamentou o facto de os fiéis não puderem estar presentes, por causa das medida de combate à pandemia.

Transladação para a Sé Catedral

Ao fim de 1025 dias, em média, o corpo de D. Óscar Braga será exumado e trasladado para uma nova cova no interior da Igreja da Sé Catedral, à semelhança de D. Armando Amaral dos Santos, primeiro bispo da Diocese de Benguela, entre 1970 e 1973, cujos restos mortais repousam no mesmo local.

Segundo o bispo Dom António Jaka, ainda se vai aguardar pelo tempo previsto (em média três a cinco anos) para fazer a trasladação do corpo de Dom Óscar para a Sé Catedral, onde irá descansar definitivamente, como é costume da Igreja Católica.

Filho de pais portugueses, José António Braga e Aldina Lopes Fernandes, D.Óscar Lino Lopes Fernandes Braga nasceu em Malanje, a 30 de Setembro de 1931. Depois dos estudos liceais em Malanje e da formação agrária em Portugal, D.Óscar Braga regressou para Angola e exerceu a profissão de regente agrícola na sua terra natal, até 1958, ano em que entrou para o Seminário Maior dos Olivais, em Lisboa.

É ordenado sacerdote a 26 de Julho de 1964 e passa a exercer várias actividades na diocese. É nomeado monsenhor pelo Papa Paulo VI, ao mesmo tempo que exerce o cargo de vigário geral da Diocese de Malanje, até à sua nomeação episcopal, a 20 de Novembro de 1974, tendo sido o segundo bispo da Diocese de Benguela, de 1975 a 2008, sucedido pelo cardeal D.Eugénio Del Corso.

Entre os feitos de D.Óscar Braga, destacam-se a ordenação de mais de 300 padres e dos bispos José Nambi, Mário Lukundi e Emílio Sumbelelo, a reestruturação dos movimentos diocesanos, entre os quais a Promaica, ala feminina da Igreja Católica, e a pastoral juvenil da criança.
D.Óscar Braga, o apelidado Bispo do Povo, morreu terça-feira, aos 89 anos, no Hospital Geral de Benguela, na sequência de uma paragem cárdio-respiratória.