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Reportagem

Olupale aposta na criação de gado

A localidade do Olupale, que dista a 120 quilómetros da sede comunal do Bondo-Caíla, município do Cuangar, constitui a região da província do Cuando Cubango com o maior número de população bovina estimada em mais de 60 mil cabeças.

Localizada no marco 35, entre Angola e a Namíbia, a povoação do Olupale é constituída por oito aldeias e faz fronteira com o município do Cunene de Namacunde e a localidade namibiana de Okongo. Actualmente, conta com 5.125 habitantes na sua maioria criadores de gado.
Habitada maioritariamente por cuanhamas e nganguelas, esta localidade da província do Cuando Cubango, com grande potencial no sector pecuário, tem servido também para a transumância de numerosas manadas de gado bovino de criadores namibianos que aproveitam o Olupale para o pasto dos seus animais.
O regedor do Olupale, Ernesto Abraão Cambinda, disse que a população bovina na sua área de jurisdição tem estado a aumentar significativamente nos últimos anos, uma vez que em 2008 havia um controlo de mais de 28 mil cabeças e actualmente o número ronda em mais de 60 mil.
Na povoação do Olupale, há mais gado bovino e com grande porte. Outro espanto foi que nesta região, apesar do seu potencial, é muito raro as pessoas alimentarem-se de carne bovina, porque, para os criadores, matar um animal para o consumo “é sinónimo de quem não conhece o valor desta actividade.”

Ernesto Abraão Cambinda, também criador de gado, afirmou que o Olupale é uma região especial para a criação de gado bovino. Por esta razão, a localidade tem registado transumância de grandes manadas de população bovina, sobretudo que saem da Namíbia, uma vez que tem um terreno fértil em termos de vegetação para o pasto.
Na sua visão, o Olupale é a localidade da província do Cuando Cubango que vai dar resposta aos imponentes projectos que o governo provincial pretende implementar nos próximos tempos no sector agropecuário, com destaque para as 40 fazendas agropecuárias no Cuchi e do matadouro na comuna do Missombo (Menongue).

Actividade agrícola


Ernesto Cambinda disse que a agricultura é outro sector que na povoação do Olupale tem conhecido melhorias significativas, tendo em conta que na época agrícola 2016/2017 os camponeses da sua circunscrição tiveram uma boa produção, principalmente de massango, massambala e milho, porque caiu muita chuva que permitiu aos agricultores aumentarem as suas áreas de cultivo.
Em termos de agricultura, a população este ano não teve motivo de queixa, uma vez que todos os camponeses que trabalharam a terra conseguiram colher aquilo que produziram. 
“Em comparação com os últimos três anos em que a localidade do Olupale foi fustigada por uma estiagem severa, a época agrícola 2016/2017 superou todas as expectativas dos agricultores que não contavam com uma produção que vai servir também para o comércio”, destacou.
A única dificuldade dos camponeses, nesse momento, prende-se com a falta de apoios em termos de inputs agrícolas, com realce para as sementes, adubos, charruas de atracção animal, enxadas e catanas, para que se faça uma agricultura em grande escala.

Fornecimento de água potável

Para o regedor, a única preocupação dos habitantes do Olupale prende-se com a falta de fornecimento de água potável, tendo em conta que a população, para conseguir o precioso líquido, tem de construir  cacimbas que chegam a uma profundidade de 20 a 25 metros e, para o efeito, as pessoas pagam entre duas ou três cabeças de gado bovino, dependendo fundamentalmente do terreno e da época do ano, sendo a chuvosa a mais vantajosa.
A nível da povoação do Olupale, existem mais de 50 cacimbas cavadas, onde a população tira água para o seu consumo e também para dar de beber aos animais.
Ernesto Abraão Cambinda disse que a população da sua área de jurisdição tem sofrido muito por falta de sistemas de fornecimento de água potável, “razão pela qual, queremos que o governo provincial em particular a Administração Municipal do Cuangar resolva o mais breve possível o problema do fornecimento de água potável nesta localidade, tendo em vista que a mesma é um ponto estratégico para a criação de gado.”
Na época de cacimbo, o sofrimento aumenta ainda mais, tendo em conta que muitas cacimbas secam e há registo de animais que morrem por falta de água.

Absentismo escolar

O regedor do Olupale, Ernesto Abraão Cambinda, lamentou o facto de na sua área de jurisdição continuar a registar um elevado índice de absentismo escolar, porque muitos pais e encarregados de educação preferem levar os seus filhos às lavras e ao pasto de animais. Por esta razão, este ano lectivo, estão matriculados apenas 57 alunos da iniciação à 9ª classe.

A situação, disse, acontece ainda pelo facto da localidade beneficiar tardiamente de uma escola. “É necessário que haja um trabalho aturado de sensibilização aos pais e encarregados de educação sobre os benefícios de levarem os seus filhos à escola, ao invés das lavras ou irem pastar os animais, o que pode comprometer o seu futuro quando forem adultos”, defendeu.

A ligação com Bondo-Caíla

Ernesto Abraão
Cambinda disse que outra preocupação dos habitantes da povoação do Olupale é também a construção dos 120 quilómetros de estrada que liga a sua jurisdição à sede comunal do Bondo-Caíla, para permitir uma melhor circulação de pessoas e bens.
Devido ao estado avançado de degradação das vias de acesso, para sair do Olupale ao Bondo-Caíla, ou vice-versa de viatura, leva-se pelo menos cinco ou seis horas.  
“Por isso, a localidade continua a viver imensas dificuldades, tendo em vista que os carros que circulam aqui são apenas da Administração Municipal do Cuangar ou da comuna do Bondo-Caíla”, disse, acrescentando que para comprarem alimentos, vestuário ou outros bens de primeira necessidade, os habitantes preferem ir à localidade namibiana do Okongo que dista a cerca de 40 quilómetros de Olupale.
É necessária a intervenção urgente do Executivo, no sentido de construção de uma estrada que ligue Olupale/Bondo-Caíla, para a população deixar de recorrer à Namíbia à procura destes serviços, pelos guias, muitas das vezes sendo obrigada a pagar valores avultados.Ernesto Abrão Cambinda pediu também a expansão dos sinais da Televisão Pública de Angola (TPA) e da Rádio Nacional de Angola (RNA), para que a população possa estar informada sobre o que se passa no país e no mundo, bem como, a instalação de uma antena da Unitel.
Com o alcance da paz, a sua área de jurisdição ganhou uma escola de cinco salas de aula, um posto de saúde e um da Polícia de Guarda Fronteira.