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Reportagem

Moxico está entre as menos desenvolvidas

O Executivo tem de redobrar esforços,  por meio de adopção de um plano de emergência, para atenuar o elevado grau de constrangimentos existente nos mais variados domínios da vida social e económica da província.

O Moxico, segundo as es-tatísticas, consta na última escala de províncias menos desenvolvidas do país. Além da guerra, que travou o desenvolvimento da região, a província pouco beneficiou, de o alcance da paz, de programas de maior impacto social e económico, para sair da linha da pobreza em que se encontra.
Os vários encontros de auscultação que o governador Gonçalves Muandumba realizou com várias sensibilidades da província, deu para perceber a tremenda responsabilidade que o Governo Provincial do Moxico tem pela frente,  a fim de atenuar as inúmeras dificuldades ainda existentes.
Tanto a juventude, as autoridades tradicionais e os re-presentantes de várias denominações religiosas, insistiram sobre ausência de indicadores de desenvolvimento, em quase todos os secto-res da vida social e económica da província.
Analisando de forma profunda as inquietações, principalmente por parte dos jovens, tudo leva a crer que  no tempo da bonança houve um pouco de distracção na execução de programas que  podiam levar a província na senda do progresso.
O Governo Provincial do Moxico vai ter que  arregaçar as mangas e ver por onde co-meçar. Há dificuldades em tudo, desde ravinas, degrada-ção de esgotos das águas pluviais e residuais, o mau estado das vias de acesso e o estado avançado de degradação de quase todos os edifícios da cidade do Luena.
 A reportagem do Jornal de Angola saiu à rua e ouviu vários cidadãos que defendem a adopção de medidas concretas para tirar a província do estado  em que se encontra e estabelecer um plano viável para recuperar a imagem da cidade capital.
Alfredo Martins, estudante, disse que é impossível falar do desenvolvimento numa região onde os serviços essenciais básicos estão ainda aquém das expectativas dos cidadãos e com registo de várias obras de estradas e de outras infra-estruturas públicas e habitacionais  em estado de abandono.
Disse mais: a província vai continuar a enfrentar dificuldades no que toca aos serviços essenciais básicos, pois que na execução de obras de infra-estruturas, principalmente no domínio da educação e da saúde, não foi tido em conta o crescimento populacional, para se superar a lotação que se regista no Hospital Geral e a falta de vagas nas escolas.
Na sua opinião, o Governo Provincial do Moxico devia ter feito muito mais, a julgar pelo tempo em que com  os orçamentos atribuídos   se podia fazer um pouco mais. As ruas dos bairros Chifuchi, Santa Rosa, Passa-fome e arredores da cidade do Luena deviam, pelo menos, serem asfaltadas como na cidade do Saurimo, onde o Governo Provincial  da Lunda Sul requalificou as ruas dos principais bairros do casco urbano.
A requalificação das vias de acesso na periferia, segundo ele, evitaria a erosão  de solos que dá origem ao aparecimento de ravinas.
A cidade do Luena, capital da província do Moxico, está completamente desestruturada e precisa de uma gestão mais cuidada.

Construção desordenada
A construção desordenada na periferia e a degradação das linhas de passagem das águas, originaram o aparecimento de novas ravinas e  de outros factores que concorrem na sua depravação. As casas, prédios, lancis e jardins clamam por novas obras de melhoramento e de conservação.
Os amontoados de areia que inundam as ruas da cida-de são o resultado da falta de pavimentos dos passeios,  despidos de pisos anteriores que já levam décadas. As constantes interrupções no fornecimento de energia, fruto da fraca capacidade das centrais térmicas existentes e a falta de água potável canalizada, revelam quão os esforços que o Governo Provincial do Moxico tem de imprimir para minimizar as dificuldades  da população.
A região carece de uma actividade empresarial forte e capaz de ajudar o Executivo na solução de alguns problemas, como,  por exemplo,  garantir o emprego aos jovens e apoiar algumas iniciativas filantrópicas,  principalmente nas comunidades onde as dificuldades são imensas.
Numa região onde o maior empregador continuar a ser o Estado, os sinais de desenvolvimento se revelam cada vez mais escassos e as oportunidades de emprego tornam-se diminutas.
Nos cumprimentos de fim- de-ano, o governador do Mo-xico prometeu trabalhar para dinamizar a classe empresarial e promover acções que visam incentivar o turismo, aproveitando as potencialidades existentes neste sector. Por isso, a conjugação de es-forços de todos os sectores e do apoio dos órgãos centrais do Executivo, vão  ser determinantes para o progresso e o desenvolvimento sustentá-vel da província.