Artigo

Reportagem

Circulação rodoviária é feita com sacrifícios

Situado no corredor do milho, que dá  acesso ao município de Chicomba, que dista 220 quilómetros da cidade do Lubango, capital da província da Huíla, a circulação rodoviária é feita em condições de sacrifício, constatou a reportagem do Jornal de Angola.

O mau estado da estrada que liga os municípios de Quipungo e Chicomba, num percurso de 90 quilómetros, retrai o interesse de qualquer investidor nesta região, conhecida como “o celeiro da província”, a par dos municípios de Caconda e Caluquembe.
Os ponteiros do relógio marcavam 7h00 na passada sexta-feira. Ido da cidade do Lubango, o ministro da Construção e Obras Públicas, Manuel Tavares de Almeida, acompanhado do governador da Huíla João Marcelino Tyipinge, numa caravana rodoviária de aproximadamente 20 viaturas, deixam o asfalto da Estrada Nacional, que liga as províncias da Huíla e do Cuando Cubango, passando pela Matala.
O trajecto dá seguimento à Estrada Nacional 110, rumo ao município de Chicomba. Mal desvia-se, ali começou o dilema dos saltos e buracos com aglomerado de água das chuvas que caem regularmente e com intensidade.
A primeira paragem obrigatória do ministro da Construção e Obras Públicas foi na ponte sobre o rio Bebere 1, que embora metálica, está na iminência de desabar. Dali para diante, as paragens foram seguidas. O tempo de nove horas, que é percorrido no traçado, dado o seu mau estado, aumentou para mais seis horas, devido às constantes paragens, que permitiram ao ministro tirar ilações  do estado crítico da via.
Ao longo do percurso, os automobilistas e passageiros, que se aperceberam da presença de um ministro na  região, solicitavam a reabi-litação e a asfaltagem do traçado, que possui pontes seguras por bambus. 
A ponte sobre o rio Quê deixou preocupado o ministro da Construção e Obras Públicas, que observou,  com as autoridades tradicionais da localidade, o perigo iminente para viaturas, pessoas e bens.
O regedor do Quê expli-cou que a ponte, além de estar quase a desabar, quando chove a água transborda e os jacarés também atacam com frequência as pessoas e animais que circulam na área.
“Quando chove muito, a água passa por cima da ponte e o perigo aumenta porque ali há jacarés que  atacam as pessoas e os animais. Só este ano, já foram atacadas cinco pessoas e três morreram”, disse, com a tristeza visível no semblante.
A localidade tem  pontes seguras por bambus. “Há muitos anos  pedimos a reabilitação da estrada e das pontes. Será que desta vez a reparação vai acontecer com a presença pela primeira vez de um ministro no município? Seria uma alegria grande para nós, caso isso aconteça.”
 
Uma viagem de sacrifício
Para quem se desloca ao município de Chicomba, passando por Quipungo, o cenário é de desolação, reconheceu o ministro da Construção e Obras Públicas. 
Chicomba é uma região que faz fronteira, a norte com município de Caconda, a sul com a Matala, a sudoeste com Cacula e a leste com os municípios de Chipindo e Jamba, e a noroeste com Caluquembe. Tem uma população de 131.807 habitantes e as actividades principais são a agricultura, a criação de gado e o comércio.
O município desde sempre foi considerado o celeiro da província da Huíla e continua a ser até aos dias de hoje, dados os solos férteis que por vezes dispensam a utilização de fertilizantes. 
No quadro de vários programas do Governo Provincial da Huíla, várias infra-estruturas foram construídas no âmbito do Programa Integrado Municipal de Combate à Pobreza e do Programa de Investimentos Públicos aprovados pelo Executivo.
O administrador municipal em exercício de Chicomba, João Kambange, disse que a região, apesar das dificuldades de transitabilidade, tem registado nos últimos anos um desenvolvimento satisfatório.

Saúde e educação entre os projectos
contemplados pelo governo provincial

No sector da Saúde foram construídas 16 unidades sanitárias distribuídas pelas quatro comunas, um hospital municipal, seis centros médicos e nove postos de saúde. Na área da Educação foram construídas 12 escolas para o ensino primário e secundário.
Foram construídas outras escolas com material local com a comparticipação dos pais e encarregados de educação, de uma Biblioteca Municipal, e no domínio das infra-estruturas habitacionais, o administrador municipal em exercício de Chicomba, destacou  a construção de 60 casas sociais dentro do Projecto dos 200 fogos habitacionais, 40 casas na comuna sede e 20 na comuna do Quê.
 
Água e Energia
No sector das Águas e Energia, o município de Chicomba foi contemplado com a construção do sistema de captação e distribuição de Água em todas as comunas e a construção de alguns sistemas de água com painéis solares, nalgumas aldeias das quatro comunas.
 
Obras  por entregar
A Administração Municipal de Chicomba, dentro do Programa Integrado de Combate à Pobreza, construiu e espera a inauguração do sistema de captação e distribuição de água à comuna do Quê, a casa protocolar na comuna sede de Chicomba, a Administração Comunal do Libongue, o sistema de iluminação pública na comuna do Libongue e três pontes sobre os rios Kúwe, Gúnio e Tchingolonga.

Infra-estruturas paralisadas
A paralisação da construção da escola de seis salas de aula no sector do Nondumbo-Comuna do Cutenda, e da construção da escola de sete salas de aula na comuna do Quê, no Sector do Bulo, constitui uma das inquietações da Administração Municipal de Chicomba.
A paralisação da construção do edifício da administração comunal do Cutenda, de três casas sociais na co-muna do Libongue, do mercado municipal na sede e da microturbina, inserida no Programa de Investimentos Públicos (PIP) são outras preocupações apontadas pelo administrador municipal de Chicomba em exercício, João Kambange, ao ministro da Construção e Obras Públicas e ao governador da Huíla.
 Das estruturas que constam no Plano estratégico do Desenvolvimento Municipal -2018, a Administração Municipal tem no seu Plano de acção para 2018 a concretização de todas infra-estruturas não concluídas nos anos anteriores.
Após a conclusão destas obras, a Administração Municipal de Chicomba, em conformidade com o Programa Integrado de Combate à Po-breza (PIDRCFP), pretende cumprir com os desafios de construção e apetrechamento do centro de Formação Profissional Femi-
nino, construção de dois tanques-banheiros e mangas de vacinação.

Os principais constrangimentos

Apesar de os municípios de Angola terem os mesmos problemas conjunturais, salientou o administrador municipal em exercício de Chicomba, a região tem como principais constrangimentos as vias de acesso degradadas principalmente o troço entre o município de Chicomba, o Quipungo e Chicomba-Caconda.
 
Falta de dinheiro

A falta de recursos financeiros é o principal motivo que fez paralisar as obras da construção e instalação da mini-hídrica, bem como da conclusão da continuidade da reabilitação da estrada que dá acesso ao município de Chicomba,  explicou o governador provincial da Huíla, João Marcelino Tyipinge.
O governante disse que a obra da microturbina já foi iniciada e está à espera de re-cursos para a sequência dos trabalhos em benefício do bem-estar da população.
“O empreiteiro está disposto a continuar a obra, que está condicionada ao transporte de equipamentos que estão no exterior do país. Os técnicos estão à espera da outra tranche para a sua conclusão”, disse.
João Marcelino Tyipinge esclareceu que muito dinheiro já foi gasto, em alguns casos falta apenas algum valor para o pagamento da empreitada.
“Chicomba é um município  agrícola e não pode ficar à margem dos programas que visam proporcionar melhor qualidade de vida da população, combatendo a fome e a pobreza”, reconheceu.
Com a visita do ministro da Construção e Obras Públicas no traçado Quipungo-Chicomba, apontou, novos ares avizinham-se nos próximos tempos.
O Presidente da República, garantiu o governador, está preocupado com  os problemas que o país atravessa, por isso o sector está a fazer o levantamento da situação da construção e obras públicas em todas as províncias.