Reportagem

Cinco mil milhões a voarem como passarinhos

A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) estima que, este ano, 4,36 mil milhões de passageiros sejam transportados em aviões comerciais em 39 milhões de voos, uma média de 107 mil por dia. O número equivale a um aumento de 75 por cento em relação há 10 anos atrás.

A 30 de Julho, segundo o site FlightRadar24, que rastreia transportes aéreos, registou-se um novo recorde mundial de voos, um total de 202.157 (duzentos e dois mil e cento e cinquenta e sete). A IATA aponta que cada avião tem, em média, 148 assentos, pelo que 30 milhões de pessoas voaram nesse dia, o equivalente à metade da população da Itália, por exemplo.
Fundada em Havana, Cuba, em Abril de 1945, a IATA reúne 230 companhias aéreas (mais de 80%) e 93 por cento do tráfego aéreo in-ternacional. A Associação é o principal meio de cooperação entre companhias, na promoção de serviços aéreos fiáveis, seguros e económicos para benefício dos consumidores mundiais.
A indústria do transporte aéreo regular internacional (actualmente, cem vezes maior do que era em 1945) é também regulada pela Organização Internacional da Aviação Civil (ICAO, sigla em inglês), agência especializada das Nações Unidas, criada em 1944, com 191 países-membros.
Com sede permanente em Montreal, no Canadá, a ICAO tem como principais objectivos o desenvolvimento dos princípios e técnicas de navegação aérea internacional, bem como a organização e o progresso dos transportes aéreos, de modo a favorecer a segurança, a eficiência, a economia e o desenvolvimento dos serviços aéreos.
A agência desenvolve também um trabalho importante no campo da assistência técnica, procurando organizar e dar maior eficiência aos serviços de infra-estrutura aeronáutica nos países em desenvolvimento. Essa assistência é prestada através do envio de equipas de especialistas aos diversos países, para organizar e orientar a operação dos serviços técnicos indispensáveis à aviação civil e por via da concessão de bolsas de estudo para cursos de especialização.
Hoje, 7 de Dezembro, assinala-se, desde 1994, o Dia Internacional da Aviação Civil, celebrado pela primeira em 1994, para marcar o 50º aniversário da assinatura da Convenção sobre a Aviação Civil Internacional, em 1944, na cidade de Chicago, Estados Unidos. A criação de uma organização para regulamentar a aviação civil internacional, aconteceu 6 de Junho de 1945.
Em 1996, a Assembleia Geral da ONU reconheceu a data. A aviação civil é entendida como qualquer utilização não militar da aviação, seja ela comercial ou privada, dividida, basicamente, em duas categorias: o transporte aéreo, que abrange todas as operações de transporte comercial de passageiros e de cargas, e a aviação geral, que abrange todas as outras operações de voo, comerciais ou privadas. Nesta categoria, estão incluídas a aviação agrícola, a experimental, a desportiva, a executiva, o táxi aéreo, aerofotogrametria (cobertura aerofotográfica para fins de mapeamento), transporte de cargas externas, entre muitos outros exemplos. Em 2017, houve 36,8 milhões de voos.

  Divididos entre os irmãos Wright e o brasileiro Santos Dumont


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Há 113 anos, a aviação era uma invenção que as pessoas não acreditavam que fosse real. O público que assistia aos shows de aviação variava entre 100 mil e 200 mil pessoas, impressionadas com o que viam.
Uma disputa entre os ir-mãos norte-americanos Wilbur e Orville Wright e o brasileiro Santos Dumont provoca até hoje acaloradas discussões sobre quem teria sido o pioneiro da aviação.
Há quem diga que os Wright construíram o avião primeiro. Para os adeptos de Santos Dumont, aqueles criaram apenas um “estilingue gigante”, pois os primeiros modelos feitos por eles utilizavam uma espécie de catapulta,  sistema de impulsão para arremesso da estrutura, com excepção do Flyer III, que utilizava trilhos apenas para deslizar o avião e fazer a corrida de decolagem, uma vez que não havia trem de pouso no avião.
Em 1905, os Irmãos Wright voaram a uma altura de 39 metros e, em 1906, o voo de Santos Dumont foi de apenas 220 metros, porém, com trem de pouso fixo e sem a necessidade complementar de trilhos.
A história da aviação refere que tinha já 28 anos quando, em 1910, William Edward Bo-eing, na altura dono de uma em-
presa de extracção de madeira, viu pela primeira vez um avião voar e de imediato teve uma visão empreendedora.
Após o seu primeiro voo, em 1916, Boeing viu um ponto para novas criações em cima daquela máquina voadora e a sua aplicabilidade. Contratou o primeiro engenheiro e deu início à sua indústria aeronáutica, ainda sem muita noção do que poderia fazer.
O primeiro cliente de Boeing foi o Governo norte-americano, que encomendou 50 aviões, mas a venda não foi realizada, devido ao fim da I Guerra Mundial, em 1918. Foi o dinamismo do serviço de correios dos Estados Unidos que salvou o empreendimento de Boeing, embora o correio aéreo ainda acarretasse muitos riscos, já que a aviação não era sólida e não havia como prever o que podia acontecer.
Aconteceu que as pessoas aproveitavam o espaço nos aviões de transporte de correspondência para viajar, sem quaisquer normas de segurança e sem olharem para as questões de comodidade. Esse foi mais um nicho de negócio visto por Boeing, que criou o B-80 e, a 27 de Julho de 1928, teve o seu primeiro voo, com 18 passageiros e 408 quilos de carga útil.

  Comodidade e segurança

 Para maior comodidade dos passageiros durante os voos, introduziu-se o conceito de comissárias, então chamadas aeromoças. As primeiras eram enfermeiras, o que levava os passageiros a sentirem-me mais seguros.
A indústria aeronáutica passou muito bem pela crise de 1929, já que aos fabricantes de aviões ainda era permitido ter companhias de transporte aéreo.
William Boeing aproveitou a situação e criou a United Airlines, empresa -  modelo que deu início às linhas aéreas americanas. O aparelho usado foi o Boeing 247, um monoplano com cabines aquecidas, trem de pouso retráctil e sistema de pilotagem automática. Uma evolução para a época.
As rivais TWA, American Airlines e KLM usavam aviões da única rival da Boeing, a Douglas Aircraft Company, fundada por Donald Wills Douglas, que usou os modelos da Boeing para aprimorar as suas aeronaves. O primeiro foi Douglas DC-1, com o design melhor projectado e, consequentemente, mais moderno. Com o DC-1, a indústria aérea foi dominada pela empresa de Douglas, o que, a par da crise, colocou a Boeing em risco de falência.
 Com o estalar das hostilidades entre os países, os aviões foram progressivamente incorporados na guerra: primeiro, para observação; a seguir, para transporte de tropas e, por fim, como meio de ataque. Na década de 1930, considerada a era de ouro da aviação, surgiram os primeiros bombardeiros, nascendo depois os caças e por último os caças-bombardeiros.
Foi também a guerra que trouxe para a aviação o conceito de avião a jacto. O Messerschmitt ME 262 alemão foi o primeiro caça a jacto do mundo. Do lado dos Estados Unidos, a principal resposta veio da Boeing, com os B-17, conhecidos como “Flying Fortress” (Fortaleza Voadora), que deu origem ao B-29, ou “super Fortress” (super fortaleza), bombardeiro a partir do qual foram lançadas as bombas atómicas sobre Hiroshima e Nagasaki.
A II Guerra Mundial terminou, com um saldo de 50 milhões de mortos, mas ficaram as inovações e agudizaram-se as hostilidades. E a aviação deitou mão a isso, tanto para fins militares, quanto para uso comercial. Neste âmbito, além de melhorias evidentes na comodidade, cresceram as preocupações relativas ao uso de combustíveis poluentes.
Já não basta andar depressa, como aconteceu com o reformado Concorde. É preciso reduzir os gases poluentes. Para tal, a Boeing criou o 787 Dreamliner. Enquanto isso, foram-se aperfeiçoando as normas relativas à comodidade e segurança dos passageiros.
Osvaldo Gonçalves