Reportagem

A obra do chinês dura, sim senhor!

Foi na palestra do professor Gao Chan Li que ouvimos uma das passagens do discurso do Presidente Xi Jinping, num dos congressos do Partido Comunista Chinês. Pela importância da sua visão sobre a China para com o mundo, a observação ficou registada e constitui hoje motivo de reflexão e, em síntese, a definição do conceito da estratégia chinesa no contexto mundial

O que é que a China pretende afinal? A resposta é tão simplesmente esta: “Deixar o mundo conhecer a China e deixar a China caminhar pelo mundo”.
A China, país muito populoso cuja capital é Beijing, quer ver o mundo a partir da “Muralha da China”. Ou seja, sentir, no quadro da globalização, o mundo, a China, à distância de um mapa, onde os olhos percorrem em milésimos de segundo.
“I have a dream”, sonhou um dia Luther King, quando imaginava viver num mundo em que estivessem eliminadas todas as formas de preconceito e de desigualdades. O desejo ainda não foi satisfeito. Marcam-no, negativamente, o ambiente incompreendido de desenlaces permanentes.
O mundo precisa de uma nova ordem mundial, como propunha Fidel Castro. Com certeza que as barreiras políticas e as guerras económicas deitam por terra este so-nho, a estratégia de pensar local e agir globalmente.
Como forma de perceber o “pensar local chinês”, está em Beijing um grupo de jornalistas dos países de expressão portuguesa. Ao saírem da China, os integrantes levam para os respectivos países o compromisso de alertar para a necessidade de se “agir globalmente”. O sonho chinês, julgamos, é o de tornar factível e passar a mensagem da irreversibilidade da teoria da aldeia comum em que se tornou o mundo.
Quem circula por Beijing observa a cidade a partir de cima, como se estivesse a bordo de um avião. O modernismo tornou-a numa capital de três andares. As pontes, em muitos pontos, entrecruzam-se e sobrepõem-se, apenas superadas pelos arranha-céus envidraçados.
É verdade que na forma de estar na vida - na constatação feita - somos diferentes. Convergimos no respeito pelo amor à pátria. Todos queremos crescer e diminuir cada vez mais o gráfico da pobreza e as assimetrias. Há consciência de que ninguém pode caminhar sozinho. Daí o Presidente Xi Jinping abraçar o desafio de abrir as suas fronteiras ao mundo e pedir para que as outras nações activem a "luz verde" para que a China caminhe pelo mundo.
O número de chineses existentes nos nossos países mostra que o sinal está aberto e as nossas avenidas abriram alas para que a China nos conheça e identifique pontos importantes de cooperação e parceria. Estando compreendida e decifrada a visão do líder chinês, dos céus asiáticos sobrevoam constantemente aviões com destino à China e dos seus aeroportos saem aeronaves que transportam o desejo chinês para o mundo afora.
Disse o professor Gao Chan Li que, antes da aula aos formandos dos Palop, foi ao aeroporto de Beijing despedir-se da filha que tomaria o voo para os Estados Unidos da América, para dar continuidade aos estudos. Claramente percebido de que a consciência local vai no sentido da compreensão de que não se pode caminhar sozinho. Estamos em Beijing para formação. Impera o desejo, com substrato nas parcerias existentes, de melhor conhecermos a China. Os lugares por onde passámos, as informações recebidas e a interacção demonstraram isto mesmo: a estratégia de tornar as nações robustas sob o ponto de vista económico. Os países de expressão portuguesa, com certeza, olham para a China como um porto seguro.
Nós, com esta nossa passagem por Beijing (capital) e Yantai, uma cidade no nordeste (uma hora de voo, mesma distância de Luanda ao Lubango), absorvemos, o quanto possível, a potencialidade económica chinesa e a razão de estar conceituada entre as melhores do mundo. Os nossos países têm noção de que a China é um bom parceiro, com que podem contar.
A China sabe que está estabelecida uma zona livre em termos de parceria, em que os países possam cooperar de forma aberta e transparente, respeitando-se mutuamente na base de uma reciprocidade de vantagens. Se não fosse com âncora neste desiderato, obviamente que não estaríamos neste momento em Beijing. Estamos em condições de nos tornarmos porta-vozes na continuidade desta parceria.
Estamos aqui, sob a aquiescência dos nossos países e Governos, porque acreditam no ambiente de negócios com a China. O interesse em conhecer este país criou-nos uma necessidade imensa de questionar sempre e tentar entrar para a China adentro. O sucesso na economia e nos negócios com os países com os quais coopera, o seu PIB, os índices de desenvolvimento e a caminhada “ainda longa”, na visão dos nossos prelectores, contrasta - o parecer - com esta China já estável.
Os números apontam para 30 milhões de pessoas ainda a viver na pobreza, mas, atendendo aos mais de um bilião de habitantes, nada assustador. Soubemos que o desafio vai para a sua redução total. Aliás, a China tem metas de crescimento exponenciais até 2049.
A maioria dos países de expressão portuguesa, alguns devido ao quadro de instabilidade política, conheceu atrasos no seu desenvolvimento em muitos sectores. Logo, o estender de mão do parceiro chinês representa a cereja no topo do bolo. Oportunamente, a coope-ração chinesa foi e continua determinante nas soluções primárias e colhidas com agrado. Olhamos para a China com bons olhos. A quali-dade das suas cidades, o turismo, a conservação dos valores ancestrais (Cidade Proibida) expõe uma China moderna, mas que não abdicou do seu passado.
A passagem por Yantai, onde visitámos lugares históricos marcantes, como o Torre de Yantai, mo-numento muito visitado e que marca o momento de resistência na guerra contra o Japão, a visita ao Zoo em Beijing (para ver o panda) e às instalações da Radiodifusão e TV, claramente, encheram de satisfação os nossos olhos.
E, pelo facto, levaremos da China a jubilação de termos abraçado o parceiro certo. Uma cooperação que não possui pernas de barro, obviamente. Aliás, a transformação no campo habitacional, o “boom” neste campo, pontificado-se as centralidades construídas em tempo recorde é exemplo da intervenção chinesa em Angola. Só para citar este caso.
Portanto, uma parceria que tem robustez e mobilidade. Tem activado o GPS para uma frente co-mum: a defesa dos nossos nobres interesses. No estabelecimento de uma zona económica despoluída de má-fé,  em que se saiba receber e dar também.
Relativamente ao turismo, a China não deixa nada a desejar no que os seus recursos dizem respeito. Há lugares atractivos e notou-se que foram feitos muitos investimentos. Registámos também que a procura internacional é apenas, grosso modo, de japoneses e coreanos. A sensação com que se fica é a de que se deve criar mecanismos e realizar estudos que permitam despertar o mundo para o mercado turístico chinês. É importante que haja, efectivamente, uma multiplicidade de turistas de todo o mundo.
O turismo de recreação é excelente. Nele, as pessoas cruzam-se para momentos culturais e vontades inesquecíveis: Brasil e Portugal são exemplos disto mes-mo. Aliás, um dos nossos professores teve o cuidado de ressaltar a simpatia da mulher brasileira, que corresponde ao sorriso do visitante e a cerveja oferecida. Na opinião dele, contrastando com algum gesto carregado de alguma incompreensão na correspondência da mulher chinesa, que não sorri, grosso modo, aos acenos masculinos. O turismo é sorriso. É encanto. Quase concluiu o professor chinês.
A indústria do turismo em Portugal e no Brasil é forte. Sobre o Brasil, desnecessário será descrever. O carnaval brasileiro e toda a envolvência à volta falam por si. Por este segmento, conseguem-se receitas avultadas. O turismo participa do PIB com fatias registáveis. “Deixar o mundo conhecer a China…”, é um pouco disto mesmo. A China tem, de facto, de ser um país de braços completamente abertos, em que o sentimento seja de terra vossa, terra nossa, onde o sol possa brilhar para todos. Entretanto, apraz saber que a população chinesa dispõe a China para o mundo e aceita que o mundo se disponha para a China. O importante é trilharmos juntos a “Muralha da China” e encontrarmos, nas parcerias, reciprocida-de de vantagens.
Nós vamos regressar aos nossos países para passar a mensagem de que o gigante asiático não está adormecido. Está à nossa espera. Quer cooperar nos vários domínios e sectores. Seremos interlocutores legítimos, porque tivemos a oportunidade de constatar “in loco” o trabalho chinês virado ao crescimento e à felicidade das famílias.
Passaremos a mensagem, porque os nossos olhos observaram, que, aqui na China, “a obra do chinês dura”, sim senhor!