Reportagem

A cidade onde melhor se vive

As cidades são o espelho das desigualdades que existem no Mundo, com as urbes europeias a serem das melhores para viver, pois apresentam muitas diferenças ao nível da qualidade de vida, saneamento ou de transportes, quando comparadas com outros continentes.

Num ranking elaborado pela empresa de consultoria Arcadis, Zurique surge como a cidade com melhores condições para se viver. Na lista, a única representante da Lusofonia é Lisboa, que está no 46 º lugar.
Baseada em três parâmetros - qualidade de vida, meio ambiente, economia e mobilidade - a lista, elaborada em 2016, mostra que nenhuma conseguiu a máxima pontuação em todos os itens analisados. Outra das conclusões é que há um grande esforço dos responsáveis políticos para melhorar a qualidade de vida das pessoas em áreas como a saúde, a criminalidade e os preços das casas.
Zurique lidera esta lista, principalmente pelos cuidados que tem com o meio ambiente, mas depois tem pontuações menores em questões como os preços elevados ou a pouca qualidade da relação trabalho-vida privada.
Aliás, a qualidade de vida nas cidades foi um dos destaques do Secretário-Geral da ONU, António Guterres, nas declarações que proferiu na quarta-feira sobre o tema.Lembrando que todas as semanas, a nível mundial, “1,4 milhões de pessoas mudam-se para as cidades”, António Guterres lembrou que “a rápida urbanização pode sobrecarregar as capacidades locais, contribuindo para aumentar o risco de desastres naturais provocados pelo homem”.

Zurique
Na análise às 100 cidades escolhidas, de vários continentes, o pódio é ocupado por Zurique, Singapura e Estocolmo, nesta ordem. Lisboa surge na tabela geral no 46 º lugar.
No caso da capital portuguesa - a única cidade representada - a posição é conseguida no capítulo sobre a qualidade de vida, na qual está no 29 º lugar, numa tabela liderada por Seul (Coreia do Sul).
Neste ponto, os autores do estudo destacam o facto de ser uma cidade segura. De ter acessibilidades, ofertas na área da saúde e o preço das casas consideradas razoáveis. Pontos negativos são a educação e a demografia.
Já no que diz respeito ao meio ambiente, pode ler-se que Lisboa (está em 43 º lugar neste capítulo, liderado por Zurique) tem poucos riscos ambientais, mas também  poucos espaços verdes e as emissões de gases podiam ser menores.
Como facto positivo surgem as questões relacionadas com a água para consumo e o saneamento.
No terceiro item analisado - economia e mobilidade -, Singapura é a cidade com melhores condições. Portugal ocupa a 61 ª posição e tem como destaques as infra-estruturas de transportes e o turismo.

Mais segura

No que respeita à segurança, nas análises às condições das cidades, a capital do Japão é considerada a melhor. O documento, da autoria da revista The Economist, destaca ainda Singapura e Osaka para o pódio das urbes mais seguras do mundo.
A justificação para a distinção de Tóquio reside no facto de ter uma “forte performance na segurança digital” e de ter “subido sete lugares” nas questões de saúde.

Mais árvores?
Os espaços verdes que existem nas cidades também são um factor importante, quando se analisa as condições de vida dos habitantes.
Neste âmbito, o Instituto de Tecnologia de Massachusetts criou o Treepedia, com o apoio do Fórum Económico Mundial,  um site que, com recurso ao Google Street, permite dar uma perspectiva dos espaços verdes que existem em algumas cidades.
Este projecto tem na cidade de Tampa (Flórida, EUA) um exemplo de políticas de criação de espaços verdes.

Tranquilidade às mulheres
A segurança de quem vive nas cidades é um dos pontos mais valorizados por quem ali vive e também em diversos estudos como um da Fundação Thomson Reuters.
 Neste aspecto, o Cairo (Egipto) é a cidade mais perigosa para as mulheres, seguindo-se Kinshasa (capital da República Democrática do Congo) e Karachi (Paquistão).
Este trabalho analisou a violência sexual que as mulheres sofrem, o acesso aos cuidados de saúde, cultura e as oportunidades de emprego que lhes são dadas.

Cidades contaminadas
Outro dos dados utilizados para aferir a qualidade de vida numa cidade está relacionado com as partículas que existem no ar.
De acordo com o jornal espanhol “El País”, a Organização Mundial de Saúde actualiza esses dados anualmente e adverte que 91 por cento da população mundial vive em lugares onde a má qualidade do ar supera os limites recomendados. Nova Delhi (Índia) é a pior cidade no que diz respeito à poluição do ar.