Política

Refugiados da RDC regressam em breve

A República Democrática do Congo está a criar condições de segurança para o regresso dos mais de 11 mil refugiados daquele país que se encontram em Angola, concretamente na Lunda Norte, desde o mês de Março devido aos conflitos políticos e étnicos que se registam naquele país vizinho, anunciou terça-feira, no Dundo, o chefe do Estado-Maior-Adjunto das Forças Armadas da República Democrática do Congo, Ameli Diedonné.

Em declarações à imprensa, no final de uma reunião entre as chefias militares de Angola e da RDC, na capital da Lunda Norte, Ameli Diedonné lamentou o facto de milhares de famílias abandonarem os seus lares como consequência do conflito armado e informou que estão as ser reforçadas as medidas de segurança para se estabilizar a situação e evitar que inúmeras famílias deixem a RDC por falta de segurança.
“Por decisão do Presidente da República, há um reforço que está a ser feito em termos de segurança para se estabilizar a situação que se vive no nosso país e em pouco tempo todos os refugiados que se encontram na Lunda Norte vão regressar a casa”, assegurou Ameli Diedonné.
A província da Lunda Norte, salientou Ameli Diedonné, por partilhar uma extensa fronteira com algumas regiões da RDC, tem sido  a preferência dos refugiados em busca de segurança para as suas famílias.
Na reunião, os peritos militares estudaram as melhores formas para o repatriamento dos cidadãos congoleses. Ameli Diedonné agradeceu o apoio prestado pelo Governo angolano para garantir acolhimento e ajuda humanitária aos refugiados da RDC e garantiu que tudo está a ser feito para que não ocorram mais situações que obriguem um grande número de cidadãos a deixar o país. O clima de instabilidade que se vive na República Democrática do Congo, disse Ameli Diedonné, preocupa toda a comunidade internacional. O general Ameli Diedonné reconheceu que Angola, pela experiência ao longo de vários anos em termos de gestão e  solução de conflitos, desempenha um papel importante para  ultrapassar a actual crise que assola a República Democrática do Congo.
Além de assegurar ajuda humanitária aos refugiados, o Governo angolano está empenhado em contribuir para a superação dos problemas políticos que afligem a República Democrática do Congo, frisou.
O general congolês informou que a situação caótica que o seu país atravessa não era previsível, pelo menos até ao surgimento de uma força miliciana que surpreendeu o país e colocou em risco a segurança das pessoas. “Fomos surpreendidos por uma milícia com cariz étnico-tribal que tem praticado actos de terrorismo com a mutilação de pessoas e massacre de civis”, explicou, destacando as medidas político-militares que o seu governo está a tomar para devolver a segurança ao povo.

Fronteira segura

O comandante do Exército Nacional, general Gouveia Sá Miranda, disse que a questão da segurança ao longo dos 770 quilómetros de extensão da fronteira com a República Democrática do Congo com a província da Lunda Norte, está devidamente salvaguardada e descartou qualquer possibilidade da sua violação por forças rebeldes do país vizinho.
O comandante do Exército Nacional, que chefiou a delegação das Forças Armadas Angolanas, ressaltou o acolhimento e protecção que está a ser dada aos cidadãos congoleses que se encontram na Lunda Norte na condição de refugiados e revelou que mais de 500 refugiados entram semanalmente no território angolano através da Lunda Norte, em busca de segurança.
O general Gouveia Sá Miranda apelou à moderação das acções por parte das forças envolvidas no conflito, para se evitar a perda de vidas inocentes e disse ter recebido garantias do chefe do estado-maior das Forças Armadas da RDC, garantias sobre a criação de condições de segurança para o regresso dos refugiados ao seu país.
“Recebemos garantias que a situação está tranquilizada e internamente já existem condições de segurança para o regresso dos refugiados”, disse Gouveia Sá Miranda, que aconselhou a promoção do diálogo entre as partes, para a  solução dos problemas políticos e militares.