Política

João Lourenço: Dinheiros públicos desviados pagam campanha contra o país

O presidente do MPLA, João Lourenço, acusou ontem, em Luanda, “os mesmos que estavam embrulhados na corrupção e que desviaram dinheiros públicos para eles próprios, são os que estão a financiar a campanha de de-sestabilização e de intoxica-ção contra Angola.”

Numa intervenção de circunstância que considerou “discurso da alma”, depois de um primeiro oficial, João Lourenço qualificou de “campanha de desestabilização e intoxicação” contra o país, fi-nanciada por angolanos a partir do exterior.

“Esta campanha não é contra o Presidente da República. Esta campanha é contra o nosso país, contra Angola. E o que é mais triste, é que ela não vem sendo movida por forças estrangeiras nem por forças da oposição, vem sendo movida por nacionais aparentemente do MPLA”, afirmou o líder do partido no poder em Angola, no primeiro dia do VIII Congresso Ordinário da JMPLA.
O Presidente João Lourenço disse que estas pessoas são “aparentemente do MPLA, porque não se portam como tal e que ainda têm o descaramento de falar em nome do povo.” Perante uma sala que reuniu 2.295 delegados de todo país no Centro de Conferências de Belas (CCB), João Lourenço lembrou, sem citar nomes, que, no passado recente, já o país falava em “tolerância zero à corrupção”, realçando que esta “nunca surgiu”. Mas, agora, “é preciso lembrar que não fingimos fazer as coisas.” “Não gostamos de enganar o eleitorado. Não gostamos de fingir”, avisou João Lourenço, que deixou claro que onde há acção, há sempre uma reacção.
“Quando eles desviaram repartiram com o povo? Repartiram com os jovens? E então, como é que agora vêm falar em defesa do povo e em defesa dos jovens, afirmando: coitados dos jovens estão a passar mal, coitados não têm emprego”, questionou o Presidente João Lourenço.
Numa intervenção muitas vezes interrompida por eufóricos aplausos, o Presidente do MPLA disse levantar a questão em plena abertura do VIII Congresso Ordinário da JMPLA, porque os “cabos que estão a ser pagos para esta campanha, lamentavelmente são jovens.” “Nada melhor que levantar esta questão no seio dos jovens. Estes jovens que alinharam na campanha são bons jovens? São exemplares? Estão para defender os interesses da juventude?”, questionou João Lourenço. Em resposta, na sala, ecoou um “não” categórico e enérgico dos membros da JMPLA.
Diante dos jovens congressistas, João Lourenço disse pensar que aqueles jovens “não são exemplares por estarem a levar a cabo campanhas de intoxicação por quaisquer míseros 100 euros e, se calhar nem isso, porque aqueles avarentos não lhes vão pagar muito mais.”
“Queria sair desta sala com uma posição clara dos jovens: vamos continuar com esta luta ou não? Vamos continuar com esta luta, com firmeza e sem hesitação?”, questionou o presidente.
Os jovens responderam positivamente em uníssono. Diante da resposta positiva ruidosa, João Lourenço disse que “parece que saímos daqui com mandato da juventude para continuar a luta contra a corrupção.” “É este o entendimento? Podemos dizer que foi a juventu-de que nos mandou? Vamos cumprir a vossa ordem?”, questionou João Lourenço. Outra vez, os jovens responderam positivamente ao presidente.
O presidente do MPLA prometeu cumprir com o “mandato que leva da juventude para continuar com o combate à corrupção”, por reconhecer que os índices de desemprego estão altos e que é necessário trabalhar para dar emprego ao povo angolano, no geral, e à juventude, em particular.

Investimento privado para criar empregos
O presidente João Lourenço lembrou que só vai haver emprego se houver investimento privado nacional e estrangeiro que permitam a abertura de mais fábricas, o que só acontecerá se for combatida a corrupção.
“Os investidores hoje já não aceitam a condição de investir quando por trás tiverem de dar 10 ou 20 por cento a um funcionário do balcão que recebe os seus papéis. Se a corrupção a todos os níveis, não apenas do funcionário do balcão, mas até aos de níveis mais altos continuar, não vai haver investimento, e se não houver não haverá emprego”, explicou. Para o Presidente João Lourenço, é preciso promover o investimento para que sejam criados empregos, mas reitera que, em simultâneo, o combate à corrupção deve continuar incessante. João Lourenço agradeceu a juventude e disse sair da sala mais reconfortado e seguro de que “a luta continua e a vitória é certa” também na frente contra a corrupção.

Juventude angolana e instituições idóneas
No primeiro discurso, João Lourenço disse que a aposta do partido na juventude tinha exemplos a dar e um destes passou pelo facto do VII Congresso Ordinário do MPLA ter deixado a grande marca da presença de um número considerável de jovens. Outro exemplo, segundo João Lourenço, reside no facto de ter empossado uma nova ministra das Finanças, Vera Daves, jovem de 35 anos.
“Esta injecção é uma aposta nos jovens de quem se espera uma nova postura, uma nova forma de ser e estar, necessários para os desafios de desenvolvimento do país. Esta posição do MPLA em relação ao género e aos jovens tem o seu reflexo na actual composição do Executivo e de outras instituições”, disse o presidente do MPLA, para quem “a força de uma nação reside na força da sua juventude e daquilo que ela for capaz de fazer e de realizar de nobre, ético e patriótico em prol da nação”. João Lourenço falou da necessidade de os jovens deixarem-se guiar, de forma consciente, por pessoas, partidos políticos e organizações da sociedade civil que sejam idóneas, responsáveis e que, por estarem de boa fé nos seus propósitos, aceitem dar a cara, porque actuam nos marcos da lei, da democracia e que, por isso, não tenham nada a esconder nem a temer.

Direcção da JMPLA
Quanto à direcção que sair do congresso, João Lourenço falou dos muitos desafios que terão pela frente e que passam por contribuir na materialização dos programas do MPLA sufragados nas eleições de 2017 no que diz respeito aos problemas da juventude angolana, por via da implementação de políticas públicas e a busca de outras sinergias, usando a criatividade, o talento e a inovação.
“A JMPLA deve ser a porta-voz das aspirações dos jovens angolanos junto do Executivo”, disse, lembrando que o país sempre contou com a ajuda da juventude e sempre foi correspondido positivamente em todas as frentes da Defesa e Segurança, Educação e Ensino, do Trabalho e do Desporto e Recreação, onde despontaram verdadeiras estrelas e verdadeiros heróis.

Diálogo aberto e construtivo

Em relação ao que considerou “assuntos candentes da actualidade”, João Lourenço sublinhou que não são “tabus”, e que o partido está aberto ao diálogo construtivo, não apenas internamente, mas também para a sociedade civil.
“Foquem-se no trabalho e nos desafios que têm pela frente”, aconselhou.
No discurso voltado para os jovens, o líder partidário pediu à juventude a juntar-se aos esforços de combate à seca e que incentivem outras franjas da sociedade a apoiarem a luta contra a seca no Sul do país. “O MPLA deposita uma forte esperança na sua organização juvenil pelo potencial que representa”, sublinhou João Lourenço.
Na ocasião, o primeiro secretário nacional interino, Boaventura Chitapa, assumiu, em nome dos militantes da JMPLA, o compromisso incondicional de tudo fazer para que os objectivos do partido e do Estado sejam materializados, com destaque para o combate contra o que considera de “males que enfermam a sociedade e prejudicam a estabilidade económica do país”. Participam no encontro organizações juvenis estrangeiras dos partidos PAICV, de Cabo-Verde, ZANU PF, do Zimbabwe, da Zâmbia, Federação Mundial da Juventude (FMJ) e de Cuba.