Política
Executivo apoia abertura na imprensa
Frederico Cardoso, que discursava na abertura da “Conferência internacional sobre os desafios da comunicação social angolana”, indicou como sinal do empenho do Executivo o facto de, em menos de dois anos, terem sido licenciadas dezenas de novas rádios privadas, jornais e revistas, bem como um novo canal de televisão por assinatura, além da “especial atenção” que está a ser dedicada à actualização da legislação aplicável e à solução de alguns problemas da comunicação social.
O ministro de Estado considerou a comunicação social um “sector extremamente sensível” às mutações do mercado, acrescentando que a migração digital, que também faz parte da agenda do Executivo, exigirá de cada um dos operadores os ajustamentos necessários que se impõem, para a obtenção de sucessos num mercado de maior concorrência.
“Devemos aproveitar o advento da sociedade digital para promovermos a nossa inteligência colectiva enquanto Nação”, recomendou o ministro de Estado, salientando a necessidade de capitalizar as facilidades desta ferramenta tecnológica, para a construção de um país justo e mais inclusivo.
“Com o surgimento de meios alternativos de relacionamento com a opinião pública, as formas tradicionais de jornalismo perderam parte do seu protagonismo e credibilidade”, disse Frederico Cardoso, realçando que muitas pessoas substituíram a confiança que antes tinham nos meios de comunicação tradicionais por uma “fé, às vezes cega, na informação que lhes chega através das redes sociais.”
Frederico Cardoso falou ainda da grande influência das redes sociais na divulgação de versões adulteradas dos factos e a venda de histórias inventadas, com consequências políticas, sociais e económicas incalculáveis.
“A disseminação de notícias falsas descambou na banalização da mentira e, consequentemente, na relativização da verdade”, referiu o ministro de Estado, para quem esta evidência constitui uma séria ameaça à democracia. O responsável apontou a denúncia e desconstrução da acção dos promotores de notícias falsas como dos grandes desafios dos operadores da comunicação social. Frederico Cardoso defendeu, por isso, a promoção de uma nova cultura de resposta que implique o aumento do relacionamento das instituições públicas ou privadas com os cidadãos, a prestação de informação em tempo útil e maior investimento na educação das pessoas.
A necessidade de filtrar as notícias veiculadas através do novo modelo de jornalismo promovido pelos cidadãos, com recurso ao uso de telemóveis com câmaras digitais, “jornalismo cidadão”, também foi defendida pelo chefe da Casa Civil do Presidente da República, salientando que o Executivo continua a trabalhar para a expansão dos sinais da rádio e televisão em localidades que ainda não beneficiam dos mesmos.
Aprofundar reformas
Em breves declarações, o ministro da Comunicação Social, João Melo, agradeceu a presença dos presentes na conferência que visou colher subsídios para aprofundar o processo de reformas do sector da Comunicação Social no país.
João Melo lembrou que, desde a tomada de posse do Presidente João Lourenço, o sector da Comunicação Social regista mudanças importantes promovidas pelo Executivo, acrescentando que, para aprofundar o processo, conta com a contribuição e ideias de todos.
“Estamos num momento de transição, com avanços, recuos, resistências e entusiasmos. É preciso balancear tudo isso e reflectirmos em conjunto para podermos avançar de maneira consistente e sólida”, afirmou o ministro da Comunicação Social.
Temas como “Comunicação, democracia e regulação”, “Redes sociais: factor ou ameaça à democracia” e “Experiências internacionais no domínio da imprensa pública” foram abordados na concorrida “Conferência internacional sobre os desafios da comunicação social angolana”, realizada no Talatona, em que participaram deputados à Assembleia Nacional, membros do Executivo, estudantes, jornalistas e operadores da Comunicação Social.