Política

Batalha de Ambuila vai ter monumento

O Governo vai erguer, na localidade de Ambuila, um marco histórico para eternizar a Batalha de Ambuila, que ocorreu há 353 anos, entre os exércitos do Reino do Congo e de Portugal, anunciou o governador provincial do Uíge, Pinda Simão.

A Batalha de Ambuila, disse, marcou a história do Reino do Congo, mas até ao momento é ainda pouco conhecida por muitos, considerando importante que esta informação seja mais difundida e partilhada para que as novas gerações saibam dos feitos e a bravura demonstrada pelos heróis do Congo.
“Vamos erguer neste sítio um marco histórico que simbolize a bravura do povo angolano”, disse Pinda Simão, que visitou o local. O trabalho vai ser feito em colaboração com o Ministério da Cultura, para se dar maior relevância e reconhecimento à bravura dos soberanos do Reino do Congo.
Para o efeito, disse, uma equipa especializada será mandatada para estudar os termos de referência sobre os feitos da Batalha de Ambuila para formular o projecto que corresponda à altura e dimensão dos feitos dos heróis.
Para Pinda Simão, o sistema de educação dispõe de algumas informações sobre o que aconteceu na Batalha de Ambuila, mas estas informações não são suficientes, é necessário que se desenvolvam mais investigações e divulgação dos feitos dos heróis que tanto se bateram para defender a liberdade, dignidade e a integridade do território.
Para Pinda Simão, a Batalha de Ambuila deve ser um marco histórico de Angola e expressão eloquente da cultura congo e angolana em geral. O local onde se deu a batalha fica a 27 quilómetros da Estrada Nacional 220, na via terciária de acesso à sede municipal de Ambuila, no limite com o vizinho município do Quitexe.
A antiga ministra da Cultura, Rosa Cruz e Silva, já tinha colocado um marco provisório que assinala o centro do palco do embate militar, em que pereceu o Rei do Congo, D.Vita-a- Nkanga.
Segundo o governador, os espaços criados para a promoção da cultura devem ser bem utilizados e rentabilizados para dignificar a classe dos fazedores da cultura e promover o desenvolvimento das comunidades.
O governador do Uíge alertou a sociedade para que reflicta sobre o papel estratégico da cultura na transformação política, económica e social da província.
O soba da localidade de Zonda, aldeia onde se situa o marco da Batalha de Ambuila, Manuel Tempo, enalteceu a ideia do Governo Provincial do Uíge de colocar no local um monumento que pode vir a dar grande dimensão aos factos ocorridos há 353 anos. Aquela autoridade tradicional disse terem perecido no local muitas vidas dos melhores filhos angolanos que se bateram em defesa da liberdade e dignidade.
 “Temos transmitido esta informação às novas gerações, mas não tem sido suficiente. Precisamos de um símbolo mais visível e que desperte o interesse de mais cidadãos angolanos e estrangeiros”, disse aquela autoridade tradicional.
O soba Tempo lembrou ainda que bravos filhos do Reino do Congo recusaram a dominação portuguesa e bateram-se para conservar a sua dignidade e identidade e o seu território.
Segundo a História, foi a 29 de Outubro de 1665, há 353 anos, que se deu a célebre Batalha de Ambuila entre as forças do Reino do Congo, comandadas pelo soberano D.Vita-a-Nkanga, contra as forças ocupacionistas portuguesas.
O local foi classificado como sítio histórico através do Decreto Executivo nº 5/15, de 18 de Abril, cuja cerimónia foi confirmada pela ex-ministra da Cultura Rosa da Cruz e Silva, no dia 18 de Abril de 2015, na presença de diversas individualidades nacionais.
A classificação do local enquadra-se nos esforços do Executivo para a preservação e valorização do património histórico nacional.
A História regista que foi naquele local onde tombou o último soberano do Reino do Congo, D. Vita-a-Nkanga, que à frente de um grande exército defrontou as forças ocupacionistas portuguesas.
Tinham-se iniciado relações políticas e diplomáticas baseadas no princípio de respeito mútuo, na troca e intercâmbio de produtos comerciais, culturais e outros. Contudo, a cobiça dos recursos da região levou a corte portuguesa a mudar o sentido das relações com o então Reino do Congo, passando pela intenção de ocupar e dominar o território.
Segundo dados, participaram na batalha de Ambuíla cerca de 15 mil homens do Reino do Congo, entre camponeses e arqueiros, cinco mil soldados de infantaria pesada equipados com escudos e espadas com um regimento de mosquete de 380 homens.