Opinião

“Marketing” pessoal

Só alguém em ambiente de conflito com a própria consciência estaria incapaz de perceber que o nosso desporto enfrenta tempos difíceis, e por conseguinte conhece pouca vitalidade. Até mesmo ao nível das modalidades mais representativas as coisas não correm de feição.

A situação, para alguns “experts”, está associada à recessão económica, por um lado, e por outro, à fraca argúcia dos seus gestores.
Com efeito, e restringindo a conversa ao futebol, basquetebol e andebol, sendo que o espaço que nos está reservado sequer dá margem de manobra para se estender mais além, as coisas mudaram de figura num estalar de dedos, com prestações competitivas muito aquém daquilo que se podia augurar num país em tempo de estabilidade política e social.
O desporto-rei, que conheceu a sua melhor fase no consulado de Armando Machado, com a entrada, em 1996, na África do Sul, nos Campeonatos Africanos das Nações, bem tentou com Justino Fernandes manter a áurea vitoriosa. Entretanto, com Pedro Neto, que por sinal ficou catalogado como vencedor, enquanto presidente de direcção do 1º de Agosto, a prestação e os resultados já revelavam alguma timidez. Vai-se lá saber se Artur de Almeida e pares conseguem a varinha mágica para guindá-lo a um pedestal sadio e utilitário.
Na “bola ao cesto”, se a passagem de testemunho de Carlos Teixeira “Cagi” para Pires Ferreira e deste para Gustavo da Conceição foi pacífica, marcada por uma excelente política na continuidade, o mesmo já não se poderá dizer do actual presidente do COA a Paulo Madeira. Foi precisamente no consulado deste que as fundações do sólido edifício do nosso basquetebol começaram a ruir. De Hélder Cruz “Maneda”, já com o salva-vidas envergado e pronto a saltar do barco, nem interessa falar.
O andebol este sim, vai-se aguentando, porque mantém no comando um homem que faz da modalidade o seu “hobby”, que, sem medir sacrifícios, arrepia caminhos em busca dos apoios necessários. É um gestor de outra têmpera. Gostávamos, se o espaço permitisse, de estender-nos a outras modalidades. Não havendo esta possibilidade, o que se pretende deixar aqui “preto no branco” é que o desporto está a ser vítima, não apenas da crise económica, mas também da “invasão” de gestores pouco entendidos, e mais interessados no “marketing” pessoal.