Opinião / Editorial

Soluções africanas

Encerraram-se ontem os cortinados do Auditório Nelson Mandela, o majestoso recinto da sede da União Africana, em Addis Abeba, que albergou a 30.ª Cimeira de Chefes de Estado e de Governo, numa altura em que se renovaram os compromissos para solucionar os desafios de África.

Os problemas que África enfrenta hoje requerem de todos os africanos, principalmente das  elites políticas, a união, novos rumos, novas abordagens, como defendeu o Presidente de Angola, João Lourenço, no seu discurso  na  cimeira. O Chefe de Estado disse: “Precisamos de imprimir uma nova dinâmica e introduzir métodos inovadores orientados para acções concretas, porque afinal, temos a responsabilidade primária de transformar o nosso continente e corrigir assim o paradoxo africano que permanece inexplicável e intolerável, o de ser um continente rico em recursos naturais, mas assolado pela pobreza.”
Depois da passagem de testemunho do Presidente Alpha Condé, da Guiné-Conacri, para o Chefe do Estado do Ruanda, Paul Kagame, para a presidência rotativa anual da organização continental, o diagnóstico parece estar claramente efectuado, restando para o efeito a devida terapia. E não há dúvidas de que a nova geração de líderes africanos, ao lado da nova conjuntura política, económica e social africana, saberão fazer prova da “sagesse” africana para resolver os graves problemas que o continente enfrenta.
Para preparar o caminho urge fazer jus ao lema da cimeira que terminou ontem,  “Ganhar a luta contra a corrupção: um caminho sustentável para a transformação da África”, um pressuposto relevante para alcançarmos as grandes metas. Atendendo aos altos custos da corrupção em todo o continente, dificilmente se pode transformar África sem que este mal que grassa por todas as esferas da vida política, económica e institucional seja efectivamente extirpado. O desafio do combate e a vitória sobre a corrupção equivale, em termos de esforços e necessidade, ao empenho na busca da paz e estabilidade enquanto factor para a materialização de outras e importantes agendas do continente.
A questão da reforma da organização continental, um projecto para o qual Angola pretende contribuir decisivamente, deve avançar rapidamente para que a União Africana se afirme como um importante instrumento para guiar os povos africanos. 
Os alvos para o continente são ambiciosos, a julgar pela agenda avançada por vários Chefe de Estado e de Governo, nas suas intervenções, nomeadamente a transformação de África numa zona de livre comércio, abrangendo mil milhão e duzentos milhões de consumidores. Um mercado comum permite acesso a um vasto mercado com todas as vantagens decorrentes da concorrência e competitividade. Na verdade, as negociações para a efectivação desta importante realidade e fim para África tinha conhecido importantes avanços, embora tenha estagnado  nos últimos dois anos. Outros objectivos têm a ver com o que se convencionou chamar de “liberalização dos céus africanos”, uma alusão à necessidade dos países africanos acelerarem os preparativos para aumentar as ligações aéreas, tido também como um importante pressuposto para ligar as economias.
Há uma grande expectativa para que as ligações aéreas sejam reatadas este ano sob a presidência do Chefe de Estado ruandês cujo projecto de reforma e transformação visam uma África virada mais para si mesma.
África  tem de passar a ter capacidade para se autonomizar, no que respeita ao financiamento dos seus projectos de desenvolvimento, dar soluções africanas aos problemas continentais, tendo como base o comprovado “savoir-faire” das suas filhas e filhos.