Opinião / Editorial

Prevenção contra o crime violento

 Pode ser um alarmismo assumir publicamente que a sociedade está a assistir nos últimos tempos a uma espiral de crimes violentos, maioritariamente, a envolver perdas de vida,  não é aceitável afirmar que está tudo bem em termos de ordem, segurança e tranquilidade públicas.


Não está, e como prova a experiência, a identificação e o reconhecimento do problema constitui dos primeiros e decisivos passos para o resolver. E, não precisamos de esperar  mais mortes, destruição de bens públicos e privados para que tenhamos a noção da gravidade dos actos de criminalidade, sobretudo, nas grandes cidades.  
Se os actos de agressão à integridade física das pessoas são motivos de preocupação quando envolvem homicídios, não há dúvidas de que se justifica o sentimento de insegurança.
Não se pode minimizar todo e qualquer acto que atente contra a ordem, segurança e tranquilidade, e é muito mais grave quando envolve a perda de vida e destruição de bens públicos.
Urge mobilizar  a sociedade, para que o problema da criminalidade mereça a partir de casa, da escola, da comunidade, uma abordagem diferente da até então verificada. A indiferença para com os actos de violência que envolvam terceiros, deve deixar de fazer parte do quotidiano e dar lugar a gestos que contribuam para enfrentar a criminalidade como um problema de todos.
A criminalidade, como todos entendemos, deve ser combatido com um conjunto de medidas, mas não há dúvidas de que são os órgãos que ao lado da força militarizada têm a competência fundamental de manutenção da ordem e da tranquilidade públicas, que incidem toda a atenção.
Não podemos negar que a Polícia Nacional, por força do seu estatuto orgânico e das atribuições específicas, tem responsabilidades acrescidas nos actos de prevenção e repressão do crime, sobretudo o violento que envolve a perda de vida humana e destruição de bens públicos. Independentemente do papel das instituições do Estado e de todos os seus parceiros nos esforços para acautelar  situações que tendem a propiciar o cometimento de crimes, que tenham como base a componente económica, é atribuição da Polícia Nacional combater a criminalidade violenta.
A situação conjuntural que vivemos, mais ou menos cíclica, na proporção directa dos fenómenos económicos que influenciam positiva ou negativamente a vida das famílias, pessoas e empresas, não justifica o cometimento de crimes.
Numa altura como esta, em que a pressão económica e social aumenta, é preciso que as famílias e as pessoas singulares redobrem as responsabilidades, pautem a sua conduta na seriedade, atenção e consciência sobre as consequências dos actos em que podem eventualmente incorrer.
A gestão das relações pessoais, familiares e as Associações interpessoais não deve ser feita  sob o signo da inocência, da irresponsabilidade e do desconhecimento dos meios e fins relacionados.  Frequentemente, somos  confrontados com casos de pessoas que acabam envolvidas, quer como vítimas, quer como transgressoras, em situações com alegações reiteradas de que não contavam com as mesmas.
Sem pretender condicionar famílias e pessoas sobre as decisões que tomem, no seu dia a dia, não é de todo exagerado apelar à  contínua vigilância, para bem das relações no seio familiar, nos negócios, empresas e nas comunidades. E, nisto está  o acompanhamento dos menores que deve ser redobrado, dado que este constitui o significativo segmento da população angolana, e por consequência, mais vulnerável aos actos criminosos.
Com a colaboração da população, vigilância permanente e denúncia quando envolvidos com casos que envolvam indícios criminais, torna mais fácil o trabalho da Polícia Nacional.