Opinião / Editorial

Os cidadãos e as autarquias

As eleições autárquicas podem vir a acontecer em 2020, com diversos municípios a  poderem, no âmbito da  autonomia local, gerirem  e regulamentarem, nos termos da Constituição e da lei, sob sua responsabilidade e no interesse  das populações,  os assuntos  públicos locais.

A realização no país das eleições autárquicas vai ser sem dúvida um acontecimento  relevante, tendo em atenção as repercussões  da existência  de um poder local com capacidade  para resolver  problemas das populações, num quadro de descentralização administrativa.
Porque se trata das primeiras eleições autárquicas no nosso país, faz sentido que os cidadãos   comecem a perceber o que é de facto o poder local, devendo-se dar toda a informação necessária à sociedade sobre a matéria. 
A descentralização administrativa  vai, inevitavelmente,  gerar mudanças na  nossa vida  política  e acelerar o desenvolvimento dos diversos  municípios que o nosso  vasto território tem. São muitas as vantagens  da descentralização administrativa  e  as experiências de outros países  mostram, que  o poder autárquico é gerador de progresso.
 São conhecidos os políticos  que , em vários países, dirigiram municípios, no âmbito da autonomia  local,  antes de chegarem a Chefes de Estado. Esses políticos, no contacto regular  com os problemas das populações,  puderam conhecê-los  bem e actuar no sentido de os resolver   com celeridade  e socorrendo-se  dos  meios financeiros  de que  podiam dispor.
Importa  que, pela  importância das autarquias num Estado Democrático e de Direito, os partidos políticos fossem todos parte de um processo de  divulgação ampla das vantagens do poder local, num país que deseja alcançar a prosperidade.
Temos um extenso território  e  a existência das autarquias locais pode  conduzir-nos a resolver muitos dos nossos problemas. A descentralização  administrativa deve ser vista  como  uma via  que nos pode levar a concretizar mais rapidamente  uma série de problemas  de  ordem económica  e social.
A dimensão geográfica de Angola justifica que  arranquemos sem mais hesitações para o poder  autárquico, com vista a  que as populações possam viver com  dignidade. O poder local vai mudar muita coisa que está mal no nosso país. Que os cidadãos saibam pois, em que medida o poder autárquico é capaz de melhorar as suas vidas.