Opinião / Editorial

Os actos de corrupção e os servidores públicos

Estamos a tomar conhecimento com frequência de acções ilícitas de servidores do Estado, que no passado, face à impunidade que então reinava, se apropriaram ilegalmente do que pertencia a todos os contribuintes.

Terminada a guerra em 2002, alguém entendeu que era a altura de permitir que um círculo restrito de servidores públicos (escolhidos a dedo) e seus familiares se apoderassem do erário, transformando o Estado num instrumento para o enriquecimento rápido e ilícito.
Começaram a aparecer pretensos empresários empreendedores, promovidos por uma máquina de propaganda que os atribuía competências extraordinárias, para justificar nomeações para certos cargos, que davam acesso a grandes negócios, lesivos de uma maneira geral dos interesses do Estado.
Só um punhado de angolanos (escolhidos a dedo, repita-se) estava autorizado a ter acesso ao capital que se acumulava primitivamente, (um dia havemos de saber como isso se passava efectivamente) com biliões de dólares da nossa riqueza a serem investidos no estrangeiro, enquanto o povo enfrentava problemas de vária ordem.
Depois de um período de desvio ilegal de fundos públicos permanentes e não punidos, mas puníveis nos termos das nossas leis, o país quer mudar de rumo e enveredar por caminhos que possam levar os angolanos a usufruir das riquezas que eles produzem.
Os escândalos relacionados com a corrupção que afectou o país não param de surgir, e os angolanos vão se apercebendo que viviam num país em que pessoas que tinham a obrigação de defender os interesses do povo, porque tinham sido legitimados para isso em eleições, trabalhavam, em vez disso, no sentido de facilitar a vida a indivíduos que só se preocupavam em exportar para o estrangeiro biliões de dólares, enquanto muitos angolanos morriam em hospitais por falta de balões de soro.
A experiência amarga do passado deve levar os novos governantes a repensar sobre os critérios de selecção e nomeação de servidores públicos que, além de poderem dispor de recursos financeiros do Estado, tomam decisões que afectam a vida de muitos milhares de angolanos.
É pois grande a responsabilidade de quem tem de escolher os servidores do Estado para esta ou aquela função, salvo nos casos de concurso público. Há pessoas que não têm perfil para servir o Estado, devendo haver, por isso, o cuidado de se nomear, nos casos em que não há lugar para concurso público, aqueles cidadãos que sejam realmente patriotas e competentes e que já tenham dado prova de entrega à defesa do interesse dos angolanos.