Opinião / Editorial

Ordem e tranquilidade

Muito se falou sobre a “Operação Resgate”, que teve início ontem em todo o país, com reacções e efeitos positivos na mente e comportamento das populações, pelo que se pôde observar nas ruas.

Apesar da Polícia Nacional insistentemente avisar que não se trata de uma operação contra as pessoas e bens.Pouco antes de começar a operação, já era visível um comportamento encorajador da parte de alguns vendedores e até cantineiros, boa parte deles exercendo a actividade ilegalmente, e se abstiveram de operar apenas por ouvir falar da operação. No fundo, o anúncio da realização da operação e dos seus efeitos demonstrou em grande medida o elevado grau de informalidade em que anda o comércio, particularmente o precário, nas cantinas detidas por oeste-africanos e do pregão de rua, vulgo “zunga”. Os receios que se levantaram revelam-se desnecessários na medida em que todos aqueles que se encontram a operar o comércio a todos os níveis, de forma ilegal, vão ainda a tempo de se organizarem. “Quem estiver interessado em praticar a venda ambulante, deve dirigir-se à administração municipal e fazer o cadastramento”, avisou Júlio Bessa, vice-governador de Luanda para a área Económica e Produtiva. Para outras actividades, as pessoas devem igualmente informar-se junto das entidades competentes antes do seu exercício. O Estado não pode compactuar com a velha prática da liberalização primeiro e só depois a legalização, como ocorreu muito particularmente durante o período de transição entre o monopartidarismo e o multipartidarismo.
A reposição da autoridade do Estado constitui hoje um meio e um fim em si mesmo para que sejamos capazes de, por via dessas medidas, nos organizarmos melhor como sociedade e resolvermos assim os nossos principais problemas.
Como é normal e expectável, a “Operação Resgate” apenas vai incidir sobre ilegalidades a todos os níveis, razão pela qual não faz nenhum sentido que todo o mundo se preocupe. Obviamente, a Polícia Nacional deve antecipar-se aos aproveitamentos políticos e comerciais de sectores que, afectados pela operação policial, se sintam tentados a falar dela negativamente. É importante que a componente pedagógica da operação seja devidamente aproveitada e promovida pela Polícia Nacional para conter a onda de aproveitamentos contra a operação policial.
Todas as reclamações, relacionadas com eventuais e supostos efeitos prejudiciais desta operação, não fazem qualquer sentido, porque, como se sabe, inclusive a actuação das forças da ordem vão ser devidamente escrutinadas.