Opinião / Editorial

Impacto das chuvas no Zango

Luanda está a crescer e com ela os novos bairros, umas vezes precedidos de obras em termos de infra-estruturas, outras vezes à revelia do que as normas de planeamento urbanístico impõem.

Mas cresce a uma velocidade que, no mínimo, devia levar as entidades com poder de decisão a evitar que o surgimento das novas áreas residenciais se transformem no prolongamento dos bairros periféricos que existem à volta das grandes cidades angolanas. Além de dar a ideia de que, em termos de ordenamento do território, urbanização e organização da vida nos bairros novos, há uma completa falência da intervenção das estruturas competentes, bairros há que não precisavam de voltar a viver as mesmas situações que a periferia de Luanda vive quando chove. A ideia de que a culpa recai para as populações não colhe de todo, porque é suposto o poder das entidades que representam o Estado nesta matéria, fazer-se sentir, com antecedência, em toda a sua jurisdição.
O lema da actual governação consiste em corrigir o que está mal e melhorar o que está bem, facto que deve ser levado até às últimas consequências, sob pena de continuarmos a ser uma sociedade que reproduz sempre os mesmos erros.
O impacto das chuvas na localidade do Zango, em Viana, um bairro social novo, levanta muitas questões, quer relacionadas com a concepção do referido projecto habitacional, quer com o papel e o fim das bacias de retenção de água, bem como das vias de micro drenagem. Se por um lado, relativamente a primeira situação, da concepção do referido projecto habitacional, pouco ou nada se pode fazer mais, já sobre os outros aspectos muito ainda se pode.
Na verdade, alguns projectos relacionados com o sistema de retenção de água dão mostras de continuarem a ser obras por acabar, o que reserva sempre o direito ao benefício da dúvida. Mas é preciso que as autoridades que tratam destes assuntos, do Governo Províncial de Luanda e da Administração Municipal de Viana, prestem a atenção devida, porque, além de se tratar de uma zona habitacional nova, não era expectável que voltasse a viver os mesmos problemas dos velhos bairros de Luanda. Os charcos de água e os amontoados de lixo que se acumulam nas valas de drenagem, dificultando o escoamento das águas, constituem desafios que deviam estar ultrapassados num bairro novo como o Zango.
Não faz sentido que a expansão do Zango, em toda a sua extensão, que devia ser acompanhado de um projecto orientador que proporcionasse às ruas planos viáveis para livrar-se das águas das chuvas, se transforme num lamaçal e com águas paradas, sempre que chove. Até as valas de drenagem apresentam sinais de insegurança, tendo custado a vida de cidadãos, ante a ineficiência de uma administração municipal.
É preciso evoluir para mais do que a simples construção de casas no Zango. Precisa-se de se avançar para uma fase em que a segurança e a qualidade de vida das comunidades sejam também uma realidade.