Opinião / Editorial

Família saudável unida e menos vulnerável

Celebrou-se ontem em todo o mundo o Dia Internacional da Família, uma data instituída pela Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), a 20 de Setembro de 1993, e digna de ser comemorada com toda a  solenidade. De facto, é digno celebrarmos a família, sobretudo agora que este pilar importante experimenta abalos de toda a espécie ao mesmo tempo que resiste a várias ameaças e desafios. Como é fácil de dar conta, relativamente à vida do ser humano, tudo começa ou passa pela família, o mais importante núcleo da sociedade. Para a formação do ser humano, dentro dos padrões universalmente aceites, das leis, valores e tradições de cada Estado, importa menos o tipo de família. O fundamental é que os seres humanos tenham, no início e continuidade do seu  processo biopsicossocial, a felicidade ou oportunidade de viver no seio de uma família.

Em Angola, o estado actual da família  inspira cuidados, a julgar pelos números da violência doméstica, pelos indícios de fragmentação e desestruturação de milhares de agregados familiares, bem como das novas formas de famílias.
Há um grande esforço por parte das instituições do Estado, acompanhadas pelos seus parceiros sociais, para resgatar os valores que contribuem para reforçar os laços familiares.
É  imperativo constitucional a obrigação de as instituições do Estado protegerem a família, sendo um desafio que tende a acentuar-se à medida que se notam os efeitos da crise económica e financeira.
"A família é o núcleo fundamental da organização da sociedade e é objecto de especial protecção do Estado, quer se funde em casamento quer em união de facto, entre homem e mulher", diz a Constituição da República. Mais do que as palavras compiladas na Lei, urge arregaçar as mangas para se conseguir inverter o actual quadro, caracterizado pela violência doméstica, pelo crescimento de crianças abandonadas, o alcoolismo, dependência química, entre outros males que interessam gerir e controlar.
Para contrariar uma série de contravalores, que tendem hoje a tomar de assalto o que resta dos valores familiares e sociais, é preciso que as famílias, os meios de comunicação social, as igrejas e outras organizações culturais privilegiem mensagens e comunicações que realcem o amor, a fraternidade, a solidariedade, o respeito pelos bens públicos e privados.
Não é aceitável que sejamos confrontados com apelos e actuação de grupos ou pessoas que, pelas suas manifestações profissionais ou artísticas, desvalorizem os valores de família, incentivem as condutas desviantes,  atentem contra as leis, valores e tradições. 
Exortamos as instituições do Estado a materializar as acções do Executivo, baseadas  no Plano Nacional de Desenvolvimento (PND) 2018-2022, no sentido da implementação de um conjunto de políticas que garantam a melhoria do bem-estar e da qualidade de vida das famílias angolanas. E que no longo prazo o Estado angolano seja capaz de efectivar o conteúdo da agenda “Angola 2025”, tendo em vista a contribuição para uma família mais saudável, mais unida, menos vulnerável a todos os níveis.