Opinião / Editorial

Cimeira da paz regional

Luanda testemunha hoje a assinatura de instrumentos de entendimento político entre o Uganda e o Rwanda, numa Cimeira que envolverá também a participação da República Democrática do Congo e Angola, como anfitriã.

 O Presidente da República, João Lourenço, vai dar as boas vindas aos homólogos do Uganda, Yoweri Museveni, do Rwanda, Paul Kagame, da República Democrática do Congo, Félix Tshisekedi, e da República do Congo, Denis Sassou Nguessou, para a reunião que, como se espera, vai marcar uma viragem político-diplomática para a sub-região.
A expectativa é grande ao ponto do Conselho de Paz e Segurança (CPS) da União Africana (UA) esperar não só a efectivação dos compromissos que vão ser assumidos em Luanda, como adoptar os seus resultados para bem do continente e da sub-região.
A iniciativa do Presidente João Lourenço, acolhida pelas lideranças dos três países, foi recebida com satisfação na sub-região em que se inserem os Estados que se vão reunir, numa altura em que se vai evidenciar, mais uma vez, o paradigma “Soluções Africanas para os Problemas Africanos”. É África inteira e a região central do continente em particular que ganham com os desenvolvimentos que se registam na Região dos Grandes Lagos, sob facilitação de Angola.
Na verdade, a Cimeira ocorre na sequência da anterior - a Quadripartida de 12 de Julho último em Luanda - que se enquadra nos esforços bilaterais e multilaterais em nome da busca da paz, estabilidade, bem como da luta pelo desenvolvimento.
Os países que se encontram no "coração dos Grandes Lagos" precisam de fazer da causa da paz um elemento sem o qual todas as demais iniciativas ficam condicionadas. Não se poderá falar de desenvolvimento se porventura os Estados viverem ainda situações de instabilidade política, militar, e não raras vezes fomentada por "forças negativas" que actuam nas linhas fronteiriças. Sabemos que existem milícias armadas e grupos que pretendem continuar a explorar as eventuais animosidades políticas, distanciamento entre as lideranças ou mesmo fazer proveito da situação volátil na sub-região para fazer avançar a sua agenda. Os Chefes de Estado e de Governo precisam de fazer prova de que os interesses da paz e da estabilidade para o espaço comum é dos objectivos mais sagrados para a busca de outras conquistas.
E sabemos todos por experiência por que passaram numerosos países, incluindo Angola, em matéria de processos internos de pacificação sem o concurso de forças externas, que tendem sempre a ser mais sólidos, mais consistentes e mais duradouros.
Da Cimeira de hoje, esperemos que saia uma forte mensagem para que as outras situações similares ou próximas que envolvam instabilidade militar tenham como iniciativa para a resolução dos seus problemas a adopção do paradigma que no continente faz morada há já algum tempo.
Como africanos, devemos enaltecer as iniciativas concebidas pelas lideranças africanas quando visam resolver problemas que à partida podem ser superados pelos próprios africanos. Essa é a principal mensagem que as chefias dos quatro países vão enviar para África e para o mundo, numa altura em que a agenda da paz e estabilidade sopram na mesma proporção em que os Estados aceleram a diplomacia.