Opinião / Editorial
As universidades, os estágios e as empresas
Segundo a Angop, os estágios acontecem como resultado de um acordo assinado entre a Faculdade de Engenharia e a Carmon Reestrutura, um exemplo que se devia estender às demais instituições de ensino e empresas, públicas e privadas. Tal como sucede noutras paragens do mundo em que as universidades têm como aliados e parceiros no âmbito das pesquisas e respostas que proporcionam a numerosos desafios, pretendemos que em Angola suceda exactamente o mesmo. Quando se defende que as empresas devem olhar para as universidades, institutos e centros de formação técnico-profissional como parceiros e vice-versa, não se está a dizer nada de novo. E quando as empresas se predispõem a receber pessoas formadas para estágios ou quando estagiários cumprem uma etapa de aprendizagem numa empresa, não se trata de troca de favores. Na verdade, encontramo-nos num processo em que a complementaridade deve ser o principal elo de ligação para que, no final das contas, seja a sociedade angolana a principal beneficiária. Por isso, insistimos, vale sempre a pena reconhecer os esforços das empresas quando se abrem aos estagiários, ainda que vivam momentos de dificuldades.
Não sendo nada de novo, vale sempre a pena enaltecer a materialização da ligação entre a componente teórica e a parte prática. Se este paradigma se transformar em prática normal das empresas - predisporem-se a receber estudantes em fim de curso para estagiar - não há dúvidas de que vamos ser capazes de suprir uma das falhas do nosso ensino ao nível superior.
Numa altura em que grande parte das empresas, sobretudo privadas, exigem experiência de trabalho, acreditamos que com os estágios, para fazer jus aos procedimentos do "on job training", os jovens vão ser capazes de "aprender fazendo" e satisfazer as expectativas dos empregadores.
Durante algum tempo, foi uma espécie de cavalo de batalha do Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social ver legislado o estágio profissional na função pública para permitir que os jovens tenham acesso ao primeiro emprego sempre que lhes sejam exigida experiência.
Felizmente, alguma coisa tem sido feita e há mais de dez anos o país conta com uma Lei de Bases do primeiro emprego, um instrumento aprovado pela Assembleia Nacional e destinado prioritariamente aos jovens entre os 16 e os 35 anos de idade.
Atendendo ao gesto da empresa Carmon Reestrutura, auguramos que este procedimento sirva como estímulo às demais empresas, com o envolvimento das universidades, para que os jovens sintam que vale a pena a formação.