Opinião / Editorial

África e Japão sondam oportunidades

A Conferência Internacional de Tóquio sobre o Desenvolvimento de África (TICAD), em Yokohama (Japão), representa para os países africanos e para o Japão uma oportunidade a todos os níveis.


Não é todos os dias que vários países experimentam juntar, ao mesmo tempo, as entidades com poder de decisão política e os operadores privados. No Japão, os decisores políticos, em muitos casos representados ao mais alto nível, como sucede com Angola, na pessoa do Presidente da República, João Lourenço, reafirmam o compromisso da abertura e reformas em curso no continente.
A transformação económica através de políticas públicas consentâneas com a realidade e a conjuntura, a melhoria do ambiente de negócios e o desenvolvimento do sector privado, apenas para mencionar estes factores, são hoje a bandeira de numerosos Estados africanos.
Em Angola, as iniciativas das autoridades, relacionadas com as reformas em curso, incidem também sobre as variáveis mencionadas, algumas delas com níveis aceitáveis de implementação.
Aprender com a experiência japonesa pode ser valiosa para numerosos países africanos na medida em que o gigante asiático cresceu económica, industrial e tecnologicamente apostando no saber e na preservação da sua cultura milenar. Os processos de absorção de valores ocidentais, ao longo da sua evolução para se transformar na terceira maior economia do mundo, o "Império do Sol Nascente" não adoptou uma espécie de "copy & paste", que parece caracterizar hoje numerosos Estados na busca da fórmula para o desenvolvimento científico e tecnológico. Valorizar mais as pessoas, apostando num sistema de educação que ajude a retirar melhor proveito dos recursos naturais, deve ser o desafio a transpor por parte dos Estados africanos. A diversificação da economia passa fundamentalmente pela capacidade que os operadores privados vão demonstrar à medida que as reformas implementadas permitirem o espaço que se espera que os mesmos venham ocupar.
No fundo, tudo quanto as lideranças africanas devem fazer, no quadro dos esforços de diversificação da economia e atracção de investimentos, passa por dar espaço aos operadores privados. Nas economias de mercado, em que o Estado tende a reduzir a sua omnipresença, são os privados que devem tomar as rédeas da maior parte do processo de criação de postos de trabalho, riqueza e geração de bem-estar. É expectável que os desafios de inovação, nas economias de mercado, para serem mais competitivas, sejam enfrentados e com sucesso pelos operadores privados. Acreditamos que todos os Estados que se encontram representados na Conferência Internacional de Yokohama vão sondar as melhores oportunidades para as suas economias, numa parceria que produza ganhos multilaterais.
Esperemos que no fórum que decorre na cidade japonesa de Yokohama, os representantes dos países africanos saibam maximizar os ganhos das oportunidades que se apresentam, sobretudo na busca de informação, experiência e o "savoir-faire" japonês.