Opinião / Editorial

A concessão de crédito e a actividade produtiva

Um dos grandes problemas de muitas empresas angolanas é a dificuldade de aceder a crédito barato, ou seja, de tomar de empréstimos dinheiro de bancos comerciais com juros baixos.

Sabe-se que muitos bancos comerciais têm muita relutância em conceder crédito a empresas, porque os potenciais devedores não oferecem garantias suficientes de pagamento futuro do que devem. Há micro, pequenas e médias empresas que se encontram paralisadas por falta de financiamento da sua actividade produtiva, num cenário em que, segundo se diz, os bancos comerciais, potenciais credores do sector empresarial privado, têm lucros fabulosos, não estando, mesmo assim, disponíveis para financiar a economia, por razões que podem ser justificáveis. 

A verdade é que o negócio da banca comercial deve ser gerido com muita parcimónia. Afinal, os bancos comerciais trabalham com dinheiro alheio e todo o cuidado é pouco quando se usam as poupanças de uns (os seus depósitos em instituições financeiras bancárias) para dar a investidores, que, em principio, vão utilizá-las para criarem empregos e contribuírem para o crescimento da economia.

Temos em Angola micro, pequenas e médias empresas que querem investir em várias áreas de actividade produtiva, tendo sido oportuna a decisão de se criar um mecanismo de facilitação de concessão de crédito a empresários. O crédito é essencial para aquecer a economia, nesta fase em que a crise económica, causada pela pandemia de Covid-19, está a levar à paralisação muitas unidades produtivas. 

Que as sociedades de garantia de crédito venham a ser eficientes no processo de concessão de dinheiro a micro, pequenas e médias empresas em estado de falência, para que brevemente estas unidades possam voltar a produzir bens e a prestar e serviços necessários para as populações. Que os bancos comerciais, mesmo havendo sociedades de garantia de crédito, sejam mais flexíveis no processo de concessão de dinheiro a empresários que precisam de financiamento para pôr as suas empresas a funcionar.

Devia ser do interesse dos bancos que houvesse no país um empresariado robusto, cuja capacidade de poupança depositada em instituições financeiras bancárias podia levar estas a expandir os seus negócios. Uma economia paralisada não gera poupanças. Precisamos de poupanças em bancos para serem transformadas em investimento. Neste momento o que mais precisamos no país é de investimento na produção de bens e serviços. E os bancos podem tirar partido do crescimento da economia.