Opinião

Desporto fascinante

Em finais dos anos 70, com o basquetebol ainda longe do brilhantismo que anos depois veio a conquistar, ou à procura de acção revitalizadora com a partida dos seus principais actores, na ressaca da debandada causada pela descolonização do país, dizia, a par do futebol, o motocross e o hóquei em patins eram os outros desportos ,que em mim despertavam interesse e paixão.

Em finais dos anos 70, com o basquetebol ainda longe do brilhantismo que anos depois veio a conquistar, ou à procura de acção revitalizadora com a partida dos seus principais actores, na ressaca da debandada causada pela descolonização do país, dizia, a par do futebol, o motocross e o hóquei em patins eram os outros desportos ,que em mim despertavam interesse e paixão.
Muitas vezes, integrado em grupo de amigos da mesma faixa etária, rumávamos do Santo Rosa (Sambizanga) para as barrocas do Miramar, assistir à gincana de motorizadas, nos tempos de pilotos da igualha de Lili, Bianchi, Chorão e outros. Quem deles se lembra? Quando não fosse ao motocross, descaíamos um pouco mais até ao Ferroviário, para ver o hóquei em patins. Sempre tive um fraco por esse desporto sobre rodas.
Quando em 1987 cheguei ao Jornal de Angola, por feliz coincidência, foi-me incumbida, por A. Ferreira, à época editor da Secção Desportiva, a responsabilidade de cobrir o hóquei em patins. Confesso, que para mim, foi ouro sobre azul. Nesse tempo, a modalidade vivia no país, particularmente em Luanda, uma grande vitalidade. O campeonato provincial era antecedido de uma outra prova, a que chamávamos “Torneio de Abertura”, também muito competitivo.
Por isso, foi com redobrado interesse que acompanhei, no último final de semana, as emoções do Campeonato Africano de hóquei em patins. Pena é que foi mutilado, com a ausência da África do Sul. Pena, também, é que a África tenha tão poucos países praticantes, mas no essencial continua a ser um desporto fascinante, não ficaram a perder aqueles que nos três dias de competição marcaram presença no Arena do Kilamba.
Se calhar, no país precisamos de trabalhar um pouco mais, nas políticas de massificação da modalidade. Embora, saibamos que seja um desporto com custos elevados, que em tempo de recessão económica desencoraja quaisquer apostas e investimentos. Estamos a perder a acutilância do passado, responsável pelas regulares presenças em campeonatos do mundo, a começar pela geração de Cândido Teles, Fragata, Kaissara, Deslandes e demais.
Seja como for, regozijamo-nos com a qualificação para o próximo campeonato do mundo, em Barcelona, porque a Selecção foi superior à de Moçambique, adversária de se tirar o chapéu, pelo seu historial a nível da modalidade. Em traços gerais, a modalidade tem necessidade de elevar a população praticante.