Opinião / Cartas dos Leitores

Cartas dos Leitores

Ocupação de terrenos A ocupação ilegal de terrenos continua como um cancro social que precisa de ser resolvida pelas instituições do Estado, pelas administrações e famílias. Escrevo para exprimir a minha opinião relativamente ao que penso sobre a ocupação ilegal de terrenos.

Acho que as leis que punem essa prática cancerígena deviam merecer outros contornos que envolvessem medidas punitivas que desaconselhassem completamente. Na verdade, as pessoas insistem neste tipo de procedimento, levando mesmo a transformar-se numa espécie de ganha-pão de muitos que fizeram da ocupação uma forma de ser e estar na sociedade. Quantos casos de ocupação não foram incentivados propositadamente para depois reclamarem junto das instituições do Estado ? Está na hora de medidas mais punitivas que venham a desencorajar definitivamente.

Laurinda Baltazar
Malanje


Igrejas e lucro

Há dias, gostei da entrevista, dada ao Jornal de Angola, da secretária do Conselho de Igrejas Cristãs em Angola (CICA), em que defendeu o fim da mercantilização de toda e qualquer confissão religiosa. Aquela autoridade eclesiástica lembrou que a palavra de Deus foi dada pelo Todo Poderoso de graça e deve ser repassada igualmente de graça. Não pode sob nenhum pretexto ser evocado para extorquir dinheiro aos crentes, como sucede com muitas igrejas, sobretudo aquelas chamadas neo-pentencostais que pregam a dita "teologia da libertação". Acho que são muitos os desvios que se notam em muitas igrejas, particularmente quando se trata de dinheiros, numa altura em que o Estado devia, se calhar, tomar medidas no sentido da preservação da paz, estabilidade e segurança das famílias mais vulneráveis. Afinal, costumam ser essas as mais "exploradas" pelas igrejas que enfatizam muito o recurso aos bolsos como parte da estratégia. Na verdade, muitos dos desvios, quer doutrinários, quer da fé, além da adopção de uma série de procedimentos contrários com o que Jesus Cristo recomendou aos seus seguidores, acho que as instituições do Estado devem fazer mais. Ou, as igrejas em geral, se calhar, deviam adoptar uma espécie de código de conduta que levaria a comportamentos mais consentâneos como o que se espera de um verdadeiro cristão e cristã, independentemente da confissão religiosa. As igrejas podem fazer para evitar a deriva em que muitas se encontram, lamentavelmente numa altura de maior conhecimento.
Como disse Deolinda Tecas "lamentavelmente, são desvios comportamentais que merecem uma certa atenção de pastores iguais e de psicólogos ao nível do país, para se compreender as causas que levam ao cometimento de tais actos. É importante que se faça um estudo profundo sobre isso. O pastor ungido, consagrado e que recebe a unção do Espírito Santo, terá sempre o carácter orientado a primar para o bem das pessoas". Eu subscrevo em baixo tudo quanto disse a reverenda Deolinda e espero que as palavras dela sirvam para reflexão, porque as igrejas não foram feitas para fins lucrativos.

António Lima
Bairro da Madeira