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O ciclo da vida é denso e difuso

O ciclo da vida é denso e difuso. Diria mesmo , em linguagem simples, complicado. É imprevisível! É uma barbarie, dependendo da avaliação e interpretação ou do enquadramento que dermos.

Se quisermos ser realistas, como me dizia um velho amigo calejado nas andanças da vida,  -com o cabelo grisalho já meio debotado-, vivemos numa selva, tão selva quão a relação diferenciada entre a pura  e a  urbana ou ou ainda a dos primatas, qual delas a mais sensata, a mais verdadeira ou mesmo a que mais se assemelha às grandes reservas ou parques de animais,  que mais não fazem do que defender a sobrevivência das espécies, e salve-se quem puder, qual Titânic, qual “triângulo das Bermudas”. Ó nossa África nossa mãe, berço da humanidade. Que barbarie! Algumas das imagens que são colocadas  e difundidas nas redes sociais, são de arrepiar.  Que selvajaria!.., -faz-nos lembrar a pré-história-.  Gente queimada com pneus, mortas à paulada, com tiros e armas brancas, corpos dilacerados, cada um fazendo justiça com mãos próprias. E os exemplos de guerra do norte de África vindos do Magreb, põem-nos atónitos e servem de muito mau exemplo! E, cá, alguns, dos ditos feiticeiros, mesmo sem qualquer tipo de poderes míticos, a troco da roubalheira dos bolsos dos cidadãos, mandam fazer coisas do arco da velha. Verdadeiramente inacreditáveis! Cortar cabeças, matar, sacrificar crianças, violar irmãs ou mães, numa sátira de incredulidade que só ao diabo cabe.
É nós, os arautas da justiça, dos valores da irmandade, onde andamos? Quantos desses homens foram pública e exemplarmente condenados e punidos em julgamentos que poderiam servir de exemplo e moralizar a sociedade com a difusão mediática que se impunha?
Somente falamos no silêncio e rimo-nos na esquina das desgraças, mesmo por vezes com a forma tão degradante possível, em críticas veladas em surdina. Como dizia Albert Einstein, o homem da teoria da relatividade:“Somente duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. E não estou seguro quanto ao primeiro.”
Mas, são no conjunto desses casos que precisamos reflectir seriamente, pois esses actos tendem a a crescer, minar a sanidade do futuro dos nossos filhos e aumentar os níveis de conflitualidade.
Há casos de assassinatos verdadeiramente chocantes e brutais, muitos deles com uma crueldade aterradora. Crianças na maior das inocências são sacrificadas. Há que humanizar as relações sociais! As igrejas são cada vez mais chamadas a ter um papel  preponderante na preparação e formação do homem nas suas relações sociais.
Angola é um país católico, na sua essência, embora laico constitucionalmente e por isso tem de assumir-se na cristianização como tal, na escalada contra esta cruzada que se reflecte em todas as suas arestas, na falta de uma educação cuidada e aos papel das organizações filantrópicas que têm de trabalhar com as comunidades e essa tem de ser a prioridade.
Mais, teremos de equacionar as relações sociais numa base de equidade, complementaride e, essencialmente, solidariedade. O que esperamos de jovens sem formação, sem emprego, pululando nas cidades em “guetos” de droga, prostituição e álcool? Como poderemos ter cidades calmas e tranquilas? Sem desprimor para a democracia e a liberdade de escolha do cidadão, o estado deverá ter a responsabilidade de colocá-los em programas de reabilitação com a envolvente produtiva e educacional, para garantirmos um país diferente. Só assim teremos cidades calmas e tranquilas!!!