Opinião / Artigos

Muito obrigado...

Me foi concedido o privilégio de voltar a escrever para o Jornal de Angola, onde, no passado, já tive funções de responsabilidade, antes da minha nova experiência.

Esta abertura, se é que o termo casa, surgiu na sequência da cobertura da primeira fase do Campeonato Africano das Nações Chan\'2018. Uma vez o Jornal dos Desportos estar a sair apenas três vezes por semana, por questões técnicas, tive a orientação superior de responder também pelo JA. À partida, achei a missão hercúlea, para quem, encafuado em gabinete, quase perdeu a versatilidade de um verdadeiro repórter. Receei o fracasso, tentei a renúncia, mas às tantas assumi o desafio. \"Guerra é guerra\", lá diz o bom do Kizunda, e dela o homem não vira as costas. No mínimo pode é, parafraseando o malogrado general João Baptista de Matos, \"fazer um recuo estratégico para posições mais vantajosas.\" Mas por entre temores e convicções, também julguei que era uma oportunidade para ressuscitar o cronista que vive em mim. Fazia tempo que não escrevia uma crónica, um género de escrita que sempre achei apaixonante, e aprendi a exercitar. Pessoas há que volta e meia perguntavam por que razão tinha deixado de escrever. A minha resposta foi sempre de que um jornal especializado não facilitava este género. Até podia fazê-lo mas não de forma regular. A minha relação com a crónica passou a ser apenas de mero leitor. Porque crónica tanto adoro escrevê-la como lê-la com avidez. Portanto, não escrevia mas devorava aquilo que os outros produzem. Luís Fernando, Sousa Jamba, José Luís Mendonça, Isaquiel Cori, Luciano Rocha, Kanzala Filho, Fernando Martins (de boa memória) fazem a minha vontade. Salas Neto não fica só enciumado mano, também és dos meus, só que a tua reforma precoce privou-me das tuas crónicas, eternizadas em \"Kafuka-fuka\" e pejadas de humor. O teu nome também entra na lista. E, como dizia, aproveitei esta missão para ver se já tinha os dedos calcinados para a crónica ou ainda conseguiam prender a caneta e sacar daí algumas linhas deste estilo de escrita nómado, que tanto está ligado ao jornalismo como à literatura, estando estabelecido na zona fronteiriça dos dois mundos da escrita. Tentei uma presença diária com o leitor, transmitindo factos vivenciados no dia-a-dia de um país que professa o Islamismo e que tem as suas próprias regras\". Não evitei, em dias críticos, naqueles em que nada tinha para levar ao papel, recurso à ficção, como foi o caso da \"Madamme Joicelin Faouzi\", que por pouco provocou-me algum \" sarilho \" , já que alguém acreditou que se tratava de uma novela real. Só reduzi a comunicação porque fui impelido a poupar o saldo. É só ver que atiraram-me na cara o que se segue: \"Telefonas muito poucas vezes. Andas mazé o tempo todo agarrado àquela tia. Me falaram no outro dia\".
 Reitero, procurei apenas ressuscitar o cronista que sempre julguei morar em mim. Se  fi-lo bem ou mal não posso ser advogado de causa própria. Se regredi, pelo longo defeso, só vocês poderão dizê-lo. Em todo o caso, foi animador, algum \"feed back\" que tive do encontro que durante cerca de duas semanas mantivemos aqui neste cantinho. Estou, por tudo isso, grato por me terem aturado. Até mais um dia destes. Muito obrigado!