Opinião / Artigos

Eterna glória e honra ao general Kundi Paihama

Os últimos dias foram férteis em acontecimentos políticos e não só, quer a nível nacional como internacional, dos quais foram promovidas abordagens em vários ângulos, prevalecendo, em alguns casos, o respeito pelas diferenças, e noutros, o extremar de posições, que chegaram a beliscaram valores típicos na nossa realidade sócio-cultural.


Entre a rejeição do Tribunal Constitucional da inscrição da comissão instaladora do PRA-JA- Servir Angola, a apreensão de três torres de alto padrão, no quadro da recuperação de activos encetada pela PGR e a morte do general Kundi Paihama, elegemos o último facto como tema de conversa para hoje, pelos fundamentos que a seguir aduzimos.

Em primeira instância, deixamos expresso que não mantemos nenhum tipo de ligação consanguínea com o malogrado general na reforma, facto que nos permitiu discorrer de forma desapaixonada, ou seja, apenas com o sentido de avaliação da sua folha de serviço em prol da pátria.
Numa outra instância, à luz do que é normal e respeitável em termos do exercício da famigerada liberdade de expressão, afastamos qualquer possibilidade de participarmos em “bate-bocas”, cujo objectivo tenha em atenção única e simplesmente o prazer de desvalorizar o que de bom o finado fez em prol da Nação.

A partida, observamos como sendo factual que, em prol do labor pela pátria, a ficha de Kundi Paihama é prenha de realizações que atestam a sua dimensão de “homem de missões” e, por este motivo, pensamos, terem sido merecidas as adjectivações de “um dos melhores filhos de Angola”, que “dedicou toda vida à causa da liberdade e do progresso social do país”, etc.

Na sequência, a referência de que, não tendo sido um justo na face da terra- existirá algum?-, Kundi Paihama não esteve imune a erros ao longo dos 76 anos de peregrinação nesta terra, que um dia todos havemos de deixar, cada um a seu tempo, maneira e causa.
Está claro que a referência acima pode ter acolhimento por via das razões que confortam os advogados da presente tese, que por isso, não perderam oportunidade nem tempo para se esmerarem em marcar presença nas abordagens, com o sentido de contrapor os elogios às qualidades que distinguiam o antigo ministro, governador e deputado.

Entretanto, apesar de ser mais do que normal o que se lê no parágrafo imediatamente anterior à este, arriscamos pensar que as boas referências ao malogrado general foram feitas, dentre outras, com base em aspectos próprios, respeitando o contexto e por que não, alguns princípios de emanação sócio-cultural e antropológico.
Deste prisma, vale referenciar que, servir a pátria dirigindo cinco ministérios dos quais o memorável e temido Ministério da Segurança do Estado, os estratégicos da Defesa e o do Interior, bem como governar igual número de províncias, não pode ser missão para quem nada de positivo se-lhe pode dizer.

É míster recordar aos mais velhos e ensinar aos mais novos que, depois das eleições de Setembro de 1992, grande parte dos angolanos e a comunidade internacional identificaram um denominador comum de empecilho à paz tão almejada, que era imprescindível neutralizar, considerando a necessidade de concretização da livre circulação de pessoas e bens, o reforço da democracia e das suas instituições, a reposição da administração do Estado em todo o território nacional, se é que isso seja nada.

Não sabemos se faz algum sentido recordar também que, para além da remoção do empecilho, feito por via da guerra pela guerra que ditou o alcance da Paz, o facto ocorreu numa altura em que o comando do Ministério da Defesa estava nas mãos do general Kundi Paihama.
Aqui chegados, desaparece a incerteza levantada no parágrafo anterior, sobre a oportunidade de referir como valência o que nele consta, por considerarmos que a paz alcançada em 2002, mais do que um marco indelével da memória colectiva dos angolanos, foi determinante para o exercício das liberdades fundamentais, dentre elas a de expressão, esta que permite as abordagens à favor ou contra as adjectivações feitas ao finado general na reforma, Kundi Paihama.

Ou seja, como verdade sublime, na história castrense de Angola existirá sempre espaço para homenagens, glórias e honras ao general que prometeu e cumpriu “quebrar a espinha dorsal do indivíduo”.