Opinião / Artigos

A arte de vender livros

A desorganização do comércio em Luanda, em especial na Baixa, é transversal a todos os sectores e o do livro não constitui excepção.

Após o encerramento da Lello, que, mesmo quando, nos últimos tempos, era imagem pálida do passado, mas onde se podiam encontrar livros devidamente expostos e organizados por sectores, as livrarias na Baixa luandense, se exceptuarmos a do Chá de Caxinde, quase escondida, não existem. Quando muito, com dose elevada de condescendência, são arremedos. Explorados por quem da matéria nada sabe. Tal como quem atende.

Na Luanda de há algumas décadas, as livrarias, pelo espaço em si, asseio, organização, eram incentivos ao gosto pela leitura. E quem nos atendia, cicerones de viagens mágicas pelo  mundo maravilhoso da literatura e de quem a escreve. Cientes do papel fundamental que podiam ter no nascimento de leitores, chegavam a abrir obras em páginas determinadas, que conheciam de cor, para  nos mostrarem descrições de ambientes de estórias, versos de um poema. E, com frequência, falavam-nos dos autores. Para lá dos dados biográficos na contracapa. 

Das poucas coisas daqueles tempos das quais me lembro com satisfação são as livrarias e dos que lá trabalhavam. Que, quase numa atitude militante, nos davam a conhecer prosadores, poetas, estórias de vida. Não vendiam romances como bananas.