Opinião

A Covid-19 e a Nova Normalidade global

É voz corrente que desde a invasão do novo coronavírus/Covid-19, o mundo, já não é e nem será o mesmo nos seus múltiplos domínios, pois as consequências directas e indirectas dela que o mundo vivência, já o tornaram diferente, com baixa probabilidade de regressar, aos moldes dos paradigmas anteriores a ela.


Mantendo-se, segundo a OMS, o fim da Covid-19, uma incógnita, não se pode esperar o regresso ás formas de trabalho e de vida nos padrões anteriores a ela, apesar das notícias animadoras relativas a busca da vacina (cuja disponibilidade para o mundo pode demorar muito tempo). Assim, é prematuro falar-se em pós-Covid-19, aquele período, em que a propagação esteja aliviada ou a doença eliminada.

É nesse sentido, que entrou na moda o conceito de “Nova Normalidade”, na qual, como é obvio, o homem continua e continuará a se relacionar com outros, até para a sua própria sobrevivência. Mas há, e talvez continuará a haver, alteração do padrão anterior (muita proximidade física no trabalho e em espaços públicos, beijos, abraços, ritos culturais, etc.), de convivência entre as pessoas, pois como potenciais portadoras da Covid-19, umas e outras representam ameaça recíproca á vida. Então, passamos á Nova Normalidade que constitui o novo padrão que está em construção, em que se abandona alguns hábitos, se restringe a interação física/pessoal entre os seres humanos, algo que tem impacto sobre as relações humanas no seu todo, mas garantindo a sobrevivência. Normal, na sociedade humana, é todo comportamento que assegura estabilidade e continuidade da espécie.

Devido a esta nova situação, proliferam muitas reflexões, em torno das mudanças actuais e futuras, nas relações humanas e sociais, em geral, impostas pela Covid-19. Aqui tão humilde e modestamente vamos tentar reproduzir, de maneira resumida, algumas dessas ideias: 1- Na Nova Normalidade, os grandes conglomerados de pessoas (salas de aulas, salas de cultos religiosos, comícios, conferências, espectáculos desportistas e culturais, etc) serão cada vez mais limitados. Ou seja, a nova situação está e continuará a implicar a reformulação parcial e profunda de muitos equipamentos e infraestruturas económicas, transportes, sociais, desportistas, culturais e comportamentais para responder a necessidade do distanciamento físico.

Alguns acreditam que os Escritórios/Gabinetes de trabalho, além de reformulações, que alguns possam conhecer, tenderão a ser substituídos, já que de modo mais incisivo, conceitos como o Home office, (escritório em casa), o teletrabalho, comércio electrónico, aulas on-line, telemedicina, vídeo-conferências vão se assumindo como forma de trabalhar de baixo custo, para o funcionário e para empresa, bastando apenas motivação e responsabilidade. É evidente que isso, vai requerer maior disponibilização, sobretudo nos países em desenvolvimento, como o nosso, dos meios informáticos e dos serviços de telecomunicações e internet. Também, não é menos verdade que trabalhar remotamente, ainda não se aplica á todos ramos de actividade, sobretudo, os ligados á produção industrial e agrícola.

2- Ligado ao ponto anterior, vaticina-se que se muitas pessoas puderem trabalhar nos seus domicílios, em qualquer país, por mais distantes que estejam dos centros das grandes cidades, estas poderão conhecer baixa da densidade populacional, reduzindo os engarrafamentos, o consumo de combustível e a poluição, fundamentalmente se as pequenas cidades e municípios beneficiarem de investimentos em energia eléctrica e telecomunicações.

3- Na Nova Normalidade, há redução do campo afectivo-emocional, e abalo do sentimento de pertença e certa “dissocialização”, porque as pessoas por estarem fisicamente distanciadas poderão tender a estar, menos interrelacionadas, pois, como referimos, uma pessoa representa ameaça para a saúde da outra. Além disso, de per si o uso de máscara, pode implantar, aos cautelosos ou aos incautos, o medo, a desconfiança recíproca e intranquilidade.

4- A imunidade das pessoas adquiriu crucial importância, desde a eclosão da Covid-19, por ser um factor comprovadamente fundamental para neutralizar o novo coronavírus. Assim, na nova realidade importa ensinar, de maneira muito pedagógica, ás populações, a forma como a partir do consumo de alimentos baratos com alto teor de potencial de hidrogénio e água alcalina, conseguirão manter boa imunidade.

5- Na Nova Normalidade, a Ciência e a Tecnologia estão e terão, de, além de buscar o antídoto para o novo coronavírus, apadrinhar a reinvenção e a criatividade para satisfazer as novas necessidades decorrentes do distanciamento físico entre as pessoas, reconstruindo e inovando, como referido acima, equipamentos e infraestruturas económicas, transportes, sociais, desportistas e culturais. Aliás, nesse sentido, cientistas portugueses, anunciaram “a primeira máscara com capacidade de inactivar o vírus que causa a Covid-19”. Vale referir que a par da necessidade de vestirmos, se tivermos que usar eternamente máscaras faciais, estas e outros meios de biossegurança, precisarão de ser tecnicamente melhorados para que possamos inspirar e expirar comodamente, sem perigar a saúde. Nessa senda, quiçá, algumas empresas farmacêuticas/têxteis pudessem conceber saquinhos descartáveis para espirros, até porque as gripes comuns continuarão a existir.

6- Na Nova Normalidade, as questões de saúde em geral deverão ser cada vez mais prioridade dos Estados, pelo que os cuidados de saúde primários e preventivos, de higiene pessoal e colectiva serão reforçados com novos meios e métodos de vigilância sanitária e epidemiológica.
7- Há quem apregoe que haverá na nova realidade alteração da quantidade e qualidade do consumo. Ou seja, o consumo talvez já não será como antes da Covid-19, pois diante desta, as pessoas descobriram que algumas coisas materiais, afinal, podem ser dispensadas, ainda assim, mantendo bom padrão de vida.

8- Reflexos da Covid-19, também sentem-se no domínio das Relações Internacionais, onde se destaca a crise politica, económica e diplomática entre os EUA e a China, na qual, inicialmente, o primeiro acusou o segundo, de ter escondido informações sobre a doença e agora acusa-o de espionagem de propriedade intelectual em torno da investigação do antídoto da doença. Além disso, nessa Nova Normalidade poder-se-á emergir uma nova ordem económica mundial, em que a China, ao que se diz, empreende gigantesco desenvolvimento económico e os EUA, a Europa e África experimentam dificuldades imputáveis á pandemia, num momento em que o desemprego e a pobreza a nível mundial cresceram.
De resto, estamos mesmo numa Nova Normalidade, em que, por exemplo, já se pode entrar numa instituição bancária emascarado, e, como alguém disse, em que o guarda mede a febre do médico, ou em que quem não tem máscara é anormal.

? Licenciado em Ciências Sociais e em Gestão de Empresas
feijoangelo@gmail.com