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Um país dominado por décadas de guerra

A República Centro-Africana ou também República da África Central é um país localizado no centro da África, limitado a norte pelo Chade, a nordeste pelo Sudão, a leste pelo Sudão do Sul, a sul pela República Democrática do Congo e pela República do Congo, e a oeste pelos Camarões.

 A República Centro-Africana (RCA), país pobre da África Central, permaneceu em guerra desde o derrube do Presidente François Bozizé por uma rebelião armada em 2013.
Com uma superfície de 622.984 quilómetros quadrados, a RCA está encravada entre o Chade, o Sudão, o Sudão do Sul, a República Democrática do Congo e os Camarões.
Classificada em antepenúltimo lugar (188.º) no Índice de Desenvolvimento Humano, elaborado pela Organização das Nações Unidas, tem 75 por cento dos 4.6 milhões de habitantes a viverem abaixo do patamar de pobreza, segun-do o Banco Mundial.
Os conflitos travaram o desenvolvimento do país rico em recursos, como urânio, diamantes, madeira e ouro, que são disputados pelos grupos armados. Entre as suas produções, estão também algodão, café e o tabaco. No final de 1965, David Dacko, o primeiro Chefe de Estado depois da independência em 1960, foi derrubado por Jean-Bedel Bokassa, sucessivamente Presidente e im-perador, cuja era ficou mar-
cada por demonstrações de megalomania e abusos sangrentos.
Em 20 de Setembro de 1979, Bokassa, quando estava em visita à Líbia, foi derrubado por paraquedistas franceses. Dacko restabeleceu a República, mas teve de abandonar o cargo dois anos depois, por pressão dos militares. André Kolingba acede ao poder e instaura o multipartidarismo em 1991. Em 1993, Ange-Félix Patassé ganha as eleições presidenciais.
Entre 1996 e 2001 o país conheceu três motins e um golpe de Estado falhado. Em 2003, François Bozizé, antigo Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, em rebelião desde Novembro de 2001, derruba Patassé, com a ajuda da França, e declara-se Presidente.
Desde 2005, o país assiste a várias rebeliões, que se apoderam de localidades do norte, que são recuperadas por Bangui graças à ajuda da França ou pelo Exército chadiano, a pedido dos dirigentes centro-africanos.
Em Março de 2013, os rebeldes de uma coligação heteróclita, a Séléka, conquistam Bangui e derrubam Bozizé. O seu chefe, Michel Djotodia, proclama-se Presidente. As acções da Séléka, integrada maioritariamente por muçulmanos, contra as populações maioritariamente cristãs e animistas, provocam a criação de milícias, ditas de autodefesa e designadas antibalaka, que por seu lado se vingam nos muçulmanos do país.
Receando um genocídio, a França, antiga potência colonial, lançou a operação militar Sangaris (2013-2016), sob mandato da ONU. Em 2014, a Organização das Nações Unidas lançou a própria operação, a Missão Multidimensional Integrada das Nações Unidas para a Estabilização na República Centro-Africana (MINUSCA).
No início de 2014, o Presidente Djotodia demite-se sob pressão internacional, abrindo um período de transição até à eleição do Presidente Faustin-Archange Touadéra em Fevereiro de 2016.
Depois da saída da Sangaris, as violências regressaram paulatinamente às províncias controladas pelos grupos armados.
O conflito neste país, com o tamanho da França já provocou mais de 700 mil deslocados e 570 mil refugiados, e colocou 2.5 milhões de pessoas a necessitarem de ajuda humanitária.
O Governo do Presidente Faustin-Archange Touadéra, um antigo Primeiro-Ministro que venceu as presidenciais de 2016, controlava cerca de um quinto do território.
O resto era dividido por mais de 15 milícias que, na sua maioria, procuravam obter dinheiro através de raptos, extorsão, bloqueio de vias de comunicação, recursos minerais (diamantes e ouro, entre outros), roubo de gado e abate de elefantes para venda de marfim.
Capital: Bangui
Presidente:Faustin-Archange Touaderá
Moeda: Franco CFA Central
Produto Interno Bruto: 1,949 biliões USD (2017)
População: 4.659 milhões