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Tunísia prolonga “estado de emergência”

O Presidente da Tunísia anunciou neste fim de semana o prolongamento, por mais um mês, do “estado de emergência” em vigor desde os atentados ‘jihadistas’ de 2015.

O chefe de Estado tunisino, Béji Caïd Essebsi, decidiu prolongar esta medida até 11 de Março, “após ter consultado o primeiro-ministro e o presidente do parlamento sobre as questões ligadas à segurança nacional e à situação nas fronteiras e na região”, segundo um comunicado da presidência.
O estado de emergência concede poderes excepcionais às forças da ordem e permite uma interdição de greves e de reuniões que possam provocar desordens, bem como a adopção de medidas “para assegurar o controlo da imprensa”.
Em 2015, ocorreram na Tunísia três atentados reivindicados pelo grupo Estado Islâmico. O “estado de emergência” tem sido sempre renovado desde o último destes atentados, perpetrado contra a guarda presidencial a 24 de Novembro de 2015, em Tunes, tendo provocado 12 mortos.
As autoridades tunisinas dizem que têm feito “avanços importantes na guerra contra o terrorismo” e sublinham que a situação no domínio da segurança tem melhorado desde 2015, mas exige ainda vigilância. A situação na vizinha Líbia continua a ser uma das principais preocupações, segundo responsáveis governamentais. Há cerca de mês e meio a Tunísia foi cenário de violentas manifestações contra o aumento do custo de vida, uma situação que fez recuar ao tempo da “Primavera Árabe”.
Durante mais de duas semanas, milhares de pessoas protestaram nas principais ruas do país exigindo do governo medidas sociais e económicas para diminuir o impacto do aumento dos preços dos produtos de primeira necessidade.
Na altura foram detidos centenas de manifestantes, na sua maioria jovens, tendo o governo aprovado “pacto de reformas” com os sindicatos e outras organizações da sociedade civil que levou à introdução de medidas, no Orçamento Geral do Estado”, que possibilitaram evitar uma dramática diminuição do poder de compra da população.
Em 2015, a Tunísia tinha sido abalada por uma violenta onda de ataques terroristas que tiveram por cenário as principais zonas turísticas e que visaram, sobretudo, cidadãos estrangeiros.
Sendo o turismo uma das principais fontes de receitas para os cofres do Estado, é com natural preocupação e muita atenção que as autoridades encaram os problemas de segurança que abalaram o país e que ainda não estão completamente controlados.
Por isso, não é de estranhar o prolongamento do “estado de emergência”, uma situação que também ocorreu recentemente no Egipto, outros dos países “varrido” pela instabilidade causada pela “Primavera Árabe”.