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Sete terroristas condenados na pena de prisão perpétua

Sete jihadistas foram condenados por um tribunal da Tunísia na pena de prisão perpétua por serem os autores confessos dos ataques ocorridos em 2015 contra um museu e uma praia, nos quais morreram 60 pessoas e mais de 100 ficaram feridas.

Além destas condenações, 27 dos acusados foram ilibados e outros tiveram penas mais leves, tendo o Ministério Público anunciado que vai recorrer para as instâncias superiores.
O grupo de terroristas agora julgado reivindicou na altura dos ataques uma ligação ao Estado Islâmico e disse que eles foram cometidos com a intenção de desmotivar turistas estrangeiros a visitarem a Tunísia e assim espalharem o seu “pecaminoso” modo de vida.
O primeiro ataque do grupo, em Março de 2015, visou o Museu Bardo, em Túnis, tendo na altura sido mortos 22 turistas de diferentes nacionalidades.
Três meses depois, o mesmo grupo atacou uma praia no complexo turístico de El Kantaoui, perto de Sousse, no qual se registaram 38 vítimas mortais.
Segundo as autoridades tunisinas, os dois ataques foram planeados por Chamseddine al-Sandi, que nunca chegou a ser capturado mas que terá sido abatido num ataque da aviação norte-americana efectuado em Fevereiro de 2016 na Líbia.
Os terroristas foram julgados em dois tribunais diferentes. Em Sousse, quatro foram condenados a prisão perpétua e outros cinco sentenciados a penas entre seis meses e os 16 anos de cadeia, enquanto em Bardo três dos réus irão cumprir prisão perpétua, outros tantos penas mais leves e dez saíram em liberdade.

Falhas de segurança
No dia 18 de Março de 2015, dois homens vestindo uniforme militar invadiram o Museu Nacional Bardo, perto do edifício onde funciona o Parlamento, tendo disparado indiscriminadamente e atingido mortalmente 22 pessoas, incluindo 17 turistas estrangeiros provenientes do Japão, Itália, Colômbia, Austrália, França, Polónia e Suíça.
Entre as vítimas mortais estava um polícia tunisino, tendo os dois assaltantes sido abatidos no local por elementos das forças de segurança.
Três meses mais tarde, a 26 de Junho, um estudante tunisino, Seifedine Rezgui, entrou numa praia de El Kantaoui a disparar indiscriminadamente contra pessoas que se encontravam no local, só sendo abatido a tiro depois de tentar invadir o Hotel Rui Imperial Marhaba.
No rescaldo deste ataque, mais 38 pessoas acabaram por morrer, umas no local ou dias mais tarde apesar de terem sido rapidamente transportadas para o hospital.
Em ambos os ataques, as autoridades verificaram a existência de “preocupantes falhas de segurança” que levaram o Governo a instaurar o estado de emergência, que ainda hoje está em vigor e que vem sendo, desde então, periodicamente renovado.
Essas falhas de segurança fizeram com que muitas agências de viagens retirassem a Tunísia das suas rotas turísticas, o que afectou a indústria que sobrevive à custa da chegada de estrangeiros e que é preponderante para a economia do país, já que é sua principal fonte de captação de divisas.
Só agora, passados quase quatro anos, é que a indústria do turismo começa a recuperar do efeito desses ataques terroristas, tendo para isso sido fundamental a ajuda internacional prestada para a criação das condições que garantam a protecção dos principais pontos de interesse cultural e de lazer.