Mundo

Maioria dos norte-americanos acredita na inocência de Trump

Mais de metade das pessoas inquiridas nos Estados Unidos numa sondagem divulgada ontem está convencida de que o Presidente Donald Trump sairá ilibado na investigação que está a ser conduzida pelo procurador especial Robert Mueller para apurar a existência de eventuais conexões entre a sua campanha para a Casa Branca e personalidades russas nas eleições de 2016.

Neste momento, os investigadores estão a negociar com uma equipa de advogados do Presidente uma entrevista com Donald Trump para abordar a questão, que os juristas deste querem que fique restrita a aspectos precisos da investigação. Os investigadores já falaram com o antigo chefe de gabinete de Trump, Reince Priebus, o genro e conselheiro especial do Presidente, Jared Kushner, o ex-porta-voz Sean Spicer e com o director de comunicação da Casa Branca, Hope Hicks.
De acordo com os investigadores as revelações surgidas no livro “Fogo e Fúria”, de Michael Wolff, que tanta irritação tem provocado a Trump, tornam ainda mais importante a referida entrevista com o Presidente.
A sondagem ontem divulgada e que foi efectuada pela empresa Politico/Morning Consult deixa perceber que Donald Trump tem poucas razões para estar preocupado. De acordo com os números revelados, 48 por cento dos inquiridos consideram que ele sairá ileso da presente investigação e 37 por cento pensam que poderá ser de alguma forma afectado pelo processo conduzido por Mueller. Apenas 32 cento é da opinião que será mesmo obrigado a deixar a Casa Branca em 2018.
Ao longo da investigação, Donald Trump tem sempre proclamado a sua inocência, sublinhando estar a ser víti­ma de uma “caça às bruxas”. Mais recentemente, apelou ao Partido Republicano, a que pertence, para que este assuma o controlo e coloque um ponto final nas investigações que, de acordo com ele, “está a prejudicar a sua governação”.
Ontem, Donald Trump voltou a insistir na sua inocência, considerando como “muito improvável” que venha a ser entrevistado por Robert  Mueller.
Esta declaração do Presidente colide com uma outra que havia feito em Junho do ano passado quando disse estar “100 por cento pronto para essa entrevista”. Foi nessa altura que reafirmou de forma “total e absoluta” que estava “completamente inocente” das acusações de envolvimento com personalidades russas para espiar a campanha da sua rival na corrida à Casa Branca, Hillary Clinton.
Mas, aquilo que Trump quer e diz não é propriamente o que está a suceder pois até agora quatro colaboradores seus já foram formalmente acusados. Tratam-se do ex-conselheiro de segurança nacional Michael Flynn, o director de campanha Paul Manafort, um próximo deste, Richard Gates e George Papadopoulos, que integrou a equipa de política externa durante a transição.

Imigração infantil

Mas as polémicas que envolvem o Presidente Donald Trump estão longe de ser as das suspeitas do seu envolvimento com personalidades russas na corrida para a Casa Branca. Ainda ontem, um tribunal bloqueou uma decisão do Presidente que pretendia suspender um programa de protecção para os imigrantes menores de idade que tenham conseguido entrar nos Estados Unidos.
Durante a presidência de Barack Obama foi aprovada uma lei que permite a esses imigrantes uma protecção temporária durante o período de tempo que demorar a sua legalização.
Ao abrigo desta lei, cerca de 800 mil crianças já beneficiaram de apoio alimentar e de assistência médica e aos mais velhos foi permitido que pudessem estudar e, eventualmente, arranjar um emprego temporário.
Em Setembro do ano passado a administração Trump pretendeu suspender o programa denominado DACA, mas o juiz William Alsup, de um tribunal de S. Francisco, decidiu que ele continuará em vigor até que exista uma decisão definitiva do Tribunal Supremo.

Cancelados vistos para 200 mil salvadorenhos

A administração norte-americana anunciou esta semana o cancelamento de 200 mil vistos temporários que haviam sido concedidos a cidadãos de El Salvador, dando-lhes até Setembro de 2019 para abandonarem os Estados Unidos.
Esses vistos temporários haviam sido concedidos na sequência de um forte tremor de terra, que afectou aquele país da América Central em 2001. Ao mesmo tempo as autoridades norte-americanas anunciaram que a administração do Presidente Donald Trump havia também cancelado os vistos temporários que haviam sido atribuídos a milhares de cidadãos do Haiti e da Nicarágua.
Neste momento, um dos assuntos em debate na sociedade norte-americana, sobretudo a nível das organizações de defesa dos direitos humanos, tem a ver com o facto desta decisão da Casa Branca também afectar os filhos dos imigrantes envolvidos neste gigantesco processo de deportação.
Do total dos imigrantes abrangidos por esta decisão de Donald Trump, 88 por cento têm emprego estável, 10 por cento trabalham mesmo por conta própria, com 10 por cento a terem já contraído casamento com cidadãos norte-americanos.
Criado em 1990 o Programa de Protecção Temporária autoriza que cidadãos provenientes de numerosos países possam residir e trabalhar nos Estados Unidos, independentemente de terem entrado legal ou ilegalmente em território norte-americano. A única condição para ter direito a esse programa é que o requerente seja proveniente de um país afectado por um conflito armado, um desastre ambiental ou uma epidemia.
Mais uma vez os tribunais serão chamados a tomar a decisão final, uma vez que diferentes associações de defesa dos direitos humanos sediadas nos Estados Unidos estão a constituir processos para tentar reverter a decisão da Casa Branca.