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EUA mudam embaixada de Telavive para Jerusalém

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, confirmou ontem a sua decisão de voltar a afrontar o mundo anunciando que o seu país vai mudar de Telavive para Jerusalém a sede da sua representação diplomática em Israel.

O anúncio desta decisão, feito ontem pelo próprio presidente Donald Trump mas que já havia sido antecipada pelo New York Times no início da semana, vai contra tudo aquilo que havia sido acordado no contexto internacional e é uma medida unilateral dos Estados Unidos que coloca seriamente em perigo os avanços que têm vindo a ser feitos, ainda que tímidos, para normalizar as relações entre Israel e a Palestina.
Mesmo a nível das Nações Unidas, havia sido acordado que todos os países manteriam as suas representações diplomáticas em Telavive até que fosse encontrada uma solução que definisse o estatuto de Jerusalém, que tanto Israel como a Palestina reclamam como sendo a sua capital.
A porta-voz da Casa Bran­ca, Sarah Sanders, havia confirmado em conferência de imprensa que o presidente dos Estados Unidos iria fazer ontem o anúncio da decisão, embora não tivesse revelado ainda qual seria. “Não vou dar detalhes sobre as declarações do presidente. Tomará a decisão que considera melhor para os Estados Unidos”, disse Sanders. A porta-voz referiu ainda que as agências governamentais passaram por “um processo de deliberação bastante amplo”, que deram a Trump uma “ideia bastante clara” da decisão que vier tomar.
A verdade é que esta decisão de Donald Trump estava a ser aguardada, sobretudo a partir do momento em que deixou expirar o prazo para a renúncia — que os presidentes norte-americanos fazem desde 1995 — a mudar a embaixada do país  de Israel para Jerusalém. A mudança passou a estar prevista na lei a partir desse ano, dando um prazo de seis meses aos presidentes para renunciar a ela, desde que explicando o motivo. Durante 20 anos, todos os presidentes que passaram pela Casa Branca assinaram esta renúncia. Donald Trump, que chegou a renunciar à lei em Junho, anunciou logo na campanha presidencial que iria retirar a embaixada de Telavive.
Desta vez, já expirou o prazo e a intenção de Trump foi conhecida esta terça-feira, através do New York Times, tendo sido comunicada pelo próprio presidente americano, por telefone, tanto ao presidente palestiniano, Mahmoud Abbas, como ao primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, sublinhou o mesmo periódico. Além destes dois contactos, Trump telefonou ainda ao rei da Jordânia, Abdullah II, tendo de seguida o palácio real emitido um comunicado com alertas. “O rei Abdullah sublinhou que a adopção desta resolução terá sérias implicações para a segurança e estabilidade no Médio Oriente e prejudicará os próprios esforços da administração americana para retomar o processo de paz e alimentar os sentimentos dos muçulmanos e cristãos”, de acordo com o comunicado divulgado.
O mesmo receio foi transmitido pelo porta-voz da Autoridade Palestiniana. Citado pelo NYT, Xavier Abu Eid que disse que a questão “é muito séria” e que “as coisas parecem muito más” nesta altura. Nabil Abu Rudeineh, porta-voz de MahamoudAbbas, classifica esta decisão como “inaceitável”. A decisão de mudar a embaixada tem um simbolismo de peso, sendo o estatuto de Jerusalém um ponto-chave no conflito israelo-palestiniano: os dois lados reclamam a cidade como a sua capital. Todas as embaixadas internacionais estão localizadas em Telavive e têm apenas representação consular em Jerusalém. O inicial impasse de Donald Trump sobre esta mudança e a incerteza quanto ao futuro da região motivou diversos avisos de líderes internacionais, como os chefes de Estado de Egipto, Turquia e Jordânia e até Emmanuel Macron.
O líder da Liga Árabe já tinha garantido que a mudança seria uma ameaça à “estabilidade do Médio Oriente e do mundo inteiro” e Emmanuel Macron, o presidente francês, defendeu que a condição de Jerusalém deve