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Democratas reconquistam Congresso norte-americano

Os democratas conseguiram, nas eleições intercalares de terça-feira, capitalizar a divisão que existe na sociedade norte-americana e mudaram a cor a 27 assentos da Câmara dos Representantes, alterando a maioria naquela que é também conhecida como a Câmara Baixa do Congresso norte-americano.

Ontem, quando ainda faltava apurar pouco mais de 20 lugares para os 435 da Câmara dos Representantes, os democratas já tinham assegurado  os 220 assentos necessários para a maioria, deixando os republicanos com 194 assentos apurados.
O Congresso norte-americano é composto pela Câmara dos Representantes, constituída por 435 assentos, e pelo Senado, que conta com 100 assentos. Ao passo que na Câmara dos Representantes as eleições acontecem de dois em dois anos; no Senado, os mandatos são de seis anos (a cada dois anos é renovado cerca de um terço).
Os comportamentos in-versos na Câmara Alta e na Câmara Baixa do Congresso fazem adivinhar uma eleição presidencial (2020) dividida e conflituosa, como, de resto, se tem caracterizado o ambiente político e social nos Estados Unidos.
Momentos depois dos primeiros resultados que davam ampla vantagem aos democratas, o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, telefonou à líder dos democratas na Câmara dos representantes, Nancy Pelo-si, para a felicitar pela vitória do seu partido no órgão do Congresso.
Se para os Republicanos o facto de terem a maioria no Senado representa sucesso, para Nancy Pelosi, a conquista da Câmara dos Representantes representa “um novo dia para o país.”
Fim do monopólio
Os números significam o fim do monopólio do Partido Republicano no Congresso, uma tomada de posição que o Partido Democrata faz à boleia de uma geração mais jovem e mais diversa: um recorde de mulheres congressistas, a congressista mais jovem de sempre, o primeiro homossexual assumido a ser eleito governador, as primeiras mulheres indígenas e as primeiras mu-çulmanas a serem eleitas para os Representantes.
As candidatas democra-tas Deb Haaland, do Novo México, e Sharice Davids, do Kansas, fizeram história como as primeiras mulheres indígenas a serem eleitas para a Câmara dos Representantes, e Ilhan Omar e Rashida Tlaib foram as duas primeiras mulheres muçulmanas a conseguir o mesmo feito, nestas eleições intercalares onde ficou marcado o recorde de mulheres no Congresso.

  Dias agitados para Trump

Os norte-americanos elegeram um 116.º Congresso dividido, o que poderá levar a que os dois últimos anos de mandato do 45.º Presidente sejam agitados.
Em termos de orçamento, o Senado e a Câmara dos Representantes vão ter de chegar a acordos, o que promete duras batalhas. Ao assumir o controlo da Câmara dos Representantes, os Democratas ficam com a possibilidade de lançar um "impeachment" contra Donald Trump e de promover inquéritos parlamentares sobre os temas mais quentes a envolver a Administração Trump, incluindo o eventual conluio entre a equipa da campanha eleitoral do magnata e Moscovo, em 2016.
Os resultados acabam por ser um “cartão amarelo” para Donald Trump, que vê, dois anos depois de ser eleito Presidente, o Partido Republicano perder terreno no Capitólio.
As eleições intercalares foram uma espécie de referendo à liderança do Presidente, eleito pelo Partido Republicano, e às medidas que têm sido tomadas pela sua Administração.
Numa curta publicação na rede social Twitter, Donald Trump afirmou que os resultados são “um tremendo sucesso” e agradeceu o apoio dado às candidaturas republicanas.
Conhecidos os primeiros resultados, Trump ligou à líder dos democratas na Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, para a felicitar pela vitória neste órgão do Congresso norte-americano. Trump telefonou também ao líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, para o  felicitar "pelas conquistas históricas”. Nos últimos dias, Donald Trump fez campanha ao lado dos candidatos republicanos. E em vários comícios ensaiou um novo "slogan" inspirado naquele que o levou à Casa Branca nas presidenciais: "Keep America great".

Várias escolhas em jogo
As eleições intercalares, a meio do mandato do Presidente, são tradicionalmente delicadas para o inquilino da Casa Branca. No escrutínio desta terça-feira foram escolhidos congressistas, senadores e governadores em 36 Estados.
Depois de dois anos da Presidência de Donald Trump, que tem dividido profundamente os norte-americanos, os democratas prometem agora usar a maioria na Câmara dos Representantes para, a partir de Janeiro de 2019, actuar como um “contrapoder”.