Mundo / África

Uma carreira política feita à sombra do pai

Félix Tshisekedi Tshilombo, com 55 anos de idade, nomeado ontem vencedor provisório das eleições presidenciais na RDC, apresenta como herança e credencial política o nome do seu pai, Etienne Tshisekedi, que morreu em 2017, e perdeu as eleições para Joseph Kabila.

Apesar de durante a campanha eleitoral ter dito repetidamente que não pretendia rivalizar com a imagem do pai, a verdade é que ele ao longo da sua carreira política tem seguido as suas pisadas, sobretudo a nível da União para a Democracia e Progresso Social que ele fundou em 1982.
Nascido em Kinshasa no dia 13 de Junho de 1963, o provisório Presidente da RDC licenciou-se em marketing e negócios na Bélgica e é desde Março de 2018 líder do partido fundado pelo pai em 1982. Durante a campanha eleitoral, colocou especial ênfase na luta contra a pobreza.
Alguns analistas congoleses consideram que um dos grandes objectivos de Félix Tshisekedi é “vingar-se” da sua própria família, que nunca viu nele um seguidor “politicamente capaz” de tomar conta ou dar sequência à herança deixada pelo pai.
Os seus críticos apontam-lhe a pouca experiência de liderança e de governação, receando que se possa tornar facilmente numa peça do xadrez dos apoiantes de Joseph Kabila de modo a preparar-lhe o terreno para que daqui a cinco anos possa voltar ao poder.
Nos últimos dias surgiram notícias a darem conta de reuniões entre apoiantes seus e membros do gabinete de Kabila, a quem o presidente provisório já prometeu uma “vida tranquila”, eventualmente, como “embaixador plenipotenciário” numa missão diplomática no ocidente.
Vital Kamerhe, líder da União para a Nação Congolesa, foi um dos seus grandes apoiantes e estará a servir de “ponte” com os aliados de Kabila.
Os dois participaram numa reunião que decorreu na Suíça e na qual foi decidido o apoio unânime da oposição a Martin Fayulu. Porém, depois de terem regressado a Kinshasa, dois dias depois, mudaram de ideias e decidiram unir-se para apresentarem uma candidatura comum, com contornos que nunca ficaram claramente definidos.
O proclamado vencedor provisório da eleição presidencial de 30 de Dezembro na RDC saudou já no seu primeiro discurso o Presidente cessante, Joseph Kabila, considerando-o como “parceiro da alternância democrática”.
“Eu presto homenagem ao Presidente Joseph Kabila e hoje não devemos mais considerá-lo um adversário, mas sim um parceiro na alternância democrática no nosso país”, disse Tshisekedi a uma multidão de apoiantes na reunião na sede da União para a Democracia e o Progresso Social (UDPS).
Estas palavras falam por si e poderão servir de mote para animar os debates políticos que, certamente, se irão realizar nos próximos dias na RDC protagonizados por aqueles que nunca viram em Félix Tshisekedi capacidade para liderar um país com o potencial do seu.