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Filho de Jacob Zuma acusado de corrupção

Duduzane Zuma, de 34 anos, um dos filhos do ex-Presidente sul-africano, Jacob Zuma, foi formalmente acusado da prática de diversos crimes de corrupção.

A acusação foi-lhe feita pelo juiz de um tribunal de Joanesburgo, que aceitou o pagamento de uma caução para o arguido aguardar em liberdade pelo julgamento que  deve  começar no próximo mês.
Contra Duduzane Zuma pesam as suspeitas de tentar corromper um antigo vice-ministro das Finanças, Mcebisi Jonas, para influenciar decisões a favor de um grupo económico do qual terá recebido diversos pagamentos em dinheiro.
Segundo declarações à imprensa proferidas pelo seu advogado, Rudi Krause, o filho de Jacob Zuma terá negado qualquer participação ilícita nos factos apontados pela acusação.
No essencial, o Ministério Público sul-africano acusa Duduzane Zuma de ter recebido dinheiro de um grupo económico para influenciar Mcebisi Jonas na atribuição de determinados negócios com o Governo.
Em troca, esse grupo económico teria incumbido Duduzane Zuma de fazer ver ao antigo vice-ministro das Finanças de que estaria em condições de influenciar o seu pai, na altura Presidente da República, para que o promovesse ao cargo de ministro numa remodelação que já estava anunciada.
Uma outra acusação que pesa sobre o filho de Jacob Zuma, tem a ver com a alegação de que ele estaria presente num encontro onde o então vice-ministro das Fi-nanças aceitou receber 45 milhões de dólares para influenciar outras decisões do Governo a favor do mesmo grupo económico.
 
Os mesmos negócios do pai
O grupo económico que está na base das acusações feitas a Duduzane Zuma é o mes-mo dos controversos irmãos Gupta, que também estão implicados nos crimes de corrupção que pesam directamente sobre o ex-Presidente sul-africano que ainda este mês começarão a ser julgados por um tribunal de Durban.
O filho de Jacob Zuma foi detido na quinta-feira da semana passada no aeroporto de Joanesburgo quando regressava do Dubai, onde assistiu ao funeral do seu irmão mais novo Vusi Zuma.
Depois de detido e de passar uma noite na prisão, Duduzane Zuma foi libertado e obrigado a comparecer segunda-feira no tribunal de Joanesburgo onde tomou conhecimento das acusações que lhe são feitas, entregou o seu passaporte e se comprometeu a pedir autorização sempre que se queira afastar da sua área de residência.
Duduzane Zuma, pelas acusações de que está a ser alvo, mostra que está envolvido precisamente nos mesmos negócios que o seu pai, envolvendo as mesmas pessoas e participando nalguns episódios como o “braço direito” do ex-Presidente da República. Nas milhares de páginas do processo que envolve Jacob Zuma, está o nome de Duduzane, ao lado da poderosa eléctrica esta-tal Eskom e dos inevitáveis irmãos Gupta, Ajav, Atul e Rajesh, que chegaram da Índia à África do Sul para se tornarem no mais influente grupo económico durante o reinado do ex-Presidente da República.
Quando Jacob Zuma resignou, em Fevereiro deste ano, depois de ver o nome envolvido em múltiplos escândalos de corrupção, a justiça sul-africana viu o caminho aberto para esmiuçar todas as suspeitas acumuladas ao longo de anos.
Foi no desenvolvimento das investigações que as autoridades chegaram agora ao nome de Duduzane Zuma, como tinha antes já chegado ao dos irmãos Gupta e de alguns antigos ministros que podem também ser detidos a qualquer momento.
O Congresso Nacional Africano (ANC) tem mantido um prudente silêncio em relação a este assunto, não se querendo envolver num caso que pode afectar a sua campanha para as eleições de 2019.
É que, os meandros da investigação são tão complexos que ninguém se quer comprometer com medo de ver o seu nome envolvido em suspeitas de qualquer cumplicidade com as pessoas já indiciadas, sobretudo Jacob e Duduzane Zuma, para lá da família Gupta.