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Criadas milícias populares para baixar a criminalidade

O Governo ugandês, numa tentativa de baixar os índices de criminalidade que se fazem sentir em Kampala (capital), decidiu apoiar a criação de milícias populares que terão a missão de patrulhar alguns bairros dos subúrbios da capital.

Compostas numa primeira fase por cerca de 6 mil elementos, as milícias populares receberam treino especial para ajudar as forças da ordem de quem dependem institucionalmente e a quem terão que entregar pessoas que eventualmente cheguem a deter.
Porém, a criação destas milícias está a levantar mais preocupações do que entusiasmos, visto que não se trata da primeira vez que o Presidente Yoweri Museveni recorre a elementos da população para ajudar no combate ao crime.
Da última vez que foram criadas milícias populares, há cerca de dois anos, foram várias as denúncias da prática de abusos de autoridade e uso de armas que lhes foram entregues para a realização de diversos actos criminosos, tendo depois a Polícia dificuldades acrescidas para as recuperar.
O recrutamento para fazer parte das milícias populares é simples, sendo apenas requeridos exames médicos e a apresentação de certificado de registo criminal, além de  idade compreendida entre os 18 e os 35 anos.
Depois de aprovados, os “recrutas” têm uma formação que dura cerca de um mês ficando depois em prontidão para participarem em missões de patrulhamento, diurno e nocturno, em horários estipulados pela Polícia, que passa a ter o controlo de toda a sua actividade.
Em contrapartida, os membros das milícias recebem um salário mensal equivalente a 50 dólares norte-americanos e duas fardas personalizadas, onde têm de colocar em lugar visível o nome e o número de recrutamento.
Devido à elevada taxa de desemprego, foram milhares as pessoas que se apressaram a inscrever-se tendo sido criada uma lista de reserva com elementos que estão dispostos a trabalhar noutras regiões do país.
O ministro da Segurança, Elly Tumwiine, considerou a criação destas milícias uma “necessidade excepcional” que visa ajudar o Exército e a Polícia no desenvolvimento de operações conjuntas de combate ao crime.
Este responsável mostrou-se optimista no sucesso desta medida adoptada já em Setembro pelo Presidente Museveni, mas que só agora arranca depois da conclusão da formação dos 6 mil recrutas.
 
Insegurança agravada desde 2014
Durante as suas três décadas de poder, Museveni se tem distinguido pelo combate à criminalidade, um fenómeno que se agravou desde 2014, altura em que os índices de insegurança em Kampala atingiram um nível preocupante.
Entre Dezembro de 2014 e Outubro de 2017, foram assassinados em Kampala cinco líderes muçulmanos, um procurador do Estado, um antigo porta-voz da Polícia, um político da oposição e um comandante da Polícia que se tinha distinguido pelo combate à corrupção.
No final de 2017, registou-se o rapto e a morte de 20 mulheres nos arredores de Kampala, naquilo que na altura foi descrito como uma “acção premeditada para acabar com a prostituição.”
Além destes crimes, os subúrbios de Kampala passaram a viver momentos de terror com a multiplicação de assaltos à mão armada contra pessoas e habitações, bem como o assassinato selectivo de elementos suspeitos de pertencerem ou colaborarem com as autoridades.
É para inverter esta situação que surgiu a decisão de criação destas milícias, cujos primeiros 6 mil elementos foram agora apresentados devendo entrar já em funções.
A ideia, segundo a imprensa local, é criar uma força especial de 45 mil elementos que poderão ser colocados em diversos pontos do país para garantir a segurança de pequenas aldeias.
As organizações de defesa dos direitos humanos do Uganda estão cépticas e atentas ao trabalho destas milícias, pois recordam anteriores situações em que depois de receberem as armas e a formação especializada passaram a ser um problema acrescido para a Polícia, pois muitas vezes confundiam-se com grupos de criminosos.